A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs, Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig, por suspeita de fraude e estelionato na Oncoclínicas. Eles teriam impedido uma oferta pública de ações, prejudicando acionistas minoritários. A investigação aponta que o banco fraudou sua participação na empresa para evitar a OPA obrigatória. A permanência dos executivos no banco pode ser questionada devido à exigência de reputação ilibada para conselheiros.BRASÍLIA - A Polícia Civil de São Paulo determinou o indiciamento de dois executivos do banco Goldman Sachs por suspeitas de fraude e estelionato envolvendo a administração de sociedade por ações da empresa de saúde Oncoclínicas, especializada em tratamento de câncer.PUBLICIDADEProcurado, o banco não comentou até o momento; o espaço segue abertoSegundo o delegado José Eduardo Jorge, que determinou o indiciamento, Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig, representantes do Goldman Sachs, induziram ao erro a Oncoclínicas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a B3, impedindo que a empresa realizasse uma oferta pública de ações (OPA), levando a prejuízos para os acionistas minoritários da Oncoclínicas.PublicidadeBanco Goldman Sachs teria ocultado sua real participação na Oncoclínicas e evitado uma oferta pública de ações, levando a prejuízo aos acionistas minoritários Foto: Goldman Sachs/Divulgação“Há elementos, em tese, para atribuir a Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig,representantes da Goldman Sachs, participação consciente no expediente empregado para induzir a Oncoclínicas, a CVM, a B3 e o mercado em erro, conferindo aparência de legitimidade à falsa reconstrução da estrutura societária da companhia, motivo pelo qual determino que se proceda ao formal indiciamento de Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig neste Inquérito Policial de forma indireta, por condutas tipificadas nos artigos 171, caput, e 177, § 1º, I, ambos do Código Penal Brasileiro", afirmou o delegado em seu despacho.A informação foi publicada primeiramente pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão. Segundo a PF, o Goldman Sachs, que era investidor na Oncoclínicas, fraudou sua real participação na empresa, impedindo a oferta pública de ações que remunerariam os acionistas minoritários.PublicidadeO estatuto da empresa previa que, em determinadas situações, um investidor que passasse a deter 15% ou mais das ações da companhia teria de fazer uma oferta para comprar as ações dos demais acionistas. Essa oferta, conhecida como OPA, existe para proteger os acionistas minoritários.“Os elementos informativos reunidos indicam que a versão apresentada somente surgiu quando a reorganização societária poderia desencadear a obrigação de realização da OPA (oferta pública de ações), revelando-se incompatível com as informações anteriormente prestadas pelo próprio Goldman Sachs ao mercado”, diz trecho do inquérito. “Sendo utilizada para convencer a Oncoclínicas, a CVM, a B3 e os acionistas de que a oferta pública não era devida,impedindo sua realização e permitindo a manutenção de participação superior ao limite estatutário sem o correspondente desembolso financeiro, em prejuízo dos acionistas minoritários”.Leia tambémOncoclínicas: Justiça aprova recuperação extrajudicial e suspende ações por 180 diasDisputa bilionária entre sócios da Oncoclínicas na CVM já vale muito mais do que a própria empresaOncoclínicas obtém liminar na Justiça para suspender vencimento antecipado de dívidasA Lei das SA exige que reputação ilibada para conselheiros e a regulamentação do sistema financeiro permite que inquérito policial criminal seja usado na avaliação da reputação para determinadas funções. Com isso, a permanência de ambos no banco pode ser colocada em discussão.Vale ler tambémReforma tributária corre risco de entrar em vigor sob a mesma lógica que destruiu o sistema anteriorAlto Escalão: contratações para diretorias comerciais dominam a semanaGirassol Agrícola investe no plantio de eucaliptoPublicidade
Polícia Civil indicia executivos do Goldman Sachs por estelionato e fraude envolvendo a Oncoclínicas
Banco teria ocultado sua real participação na empresa e levado a prejuízo a acionistas minoritários; procurado, o Goldman Sachs não comentou até o momento; o espaço segue aberto







