Presidenciável avisa que PL manterá candidatura de Flávio Roscoe no estado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Roscoe ao lado de Flávio Bolsonaro em vídeo de anúncio de candidatura ao governo de Minas — Foto: Reprodução O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) que gostaria de apoiá-lo na disputa pelo governo de Minas Gerais, mas avisou que a decisão do partido será por manter a candidatura de Flávio Roscoe (PL). Segundo interlocutores, os dois conversaram depois da reviravolta que recolocou Cleitinho na corrida pelo Palácio Tiradentes e acertaram que, apesar de seguirem em palanques distintos no primeiro turno, estarão juntos caso apenas um dos candidatos avance para a segunda etapa da eleição. Cleitinho é tratado pelo entorno de Flávio como aliado da candidatura presidencial e lidera a corrida pelo governo, mas o presidenciável terá oficialmente outro candidato no estado. Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada em 28 de julho, o senador aparece com 35% das intenções de voto, enquanto Roscoe, lançado pelo PL na reta final das convenções, marcava 2%. Antes de o PL decidir por lançar Roscoe, o Republicanos havia decidido vetar a candidatura de Cleitinho e chegou à convenção nacional sem apresentá-lo como candidato. Na véspera, o senador e o presidente da legenda, Marcos Pereira, gravaram um vídeo em que Cleitinho anunciava a desistência da disputa. No dia seguinte, porém, ele voltou atrás, disse ter sido “tocado pelo Espírito Santo” e passou a pressionar publicamente o partido para rever a decisão. Foi durante essa indefinição que o PL decidiu se proteger. Flávio explicou a Cleitinho que lançou Roscoe porque chegou ao fim do prazo das convenções sem garantia de que o Republicanos efetivamente teria o senador como candidato ao governo. O temor era atravessar a eleição presidencial sem um palanque próprio no segundo maior colégio eleitoral do país. Ao ter seu nome lançado na semana passada, Roscoe afirmou que sua candidatura tinha como objetivo manter a direita “coesa” no estado. Naquele momento, Cleitinho estava fora da disputa e as tentativas anteriores de construir uma candidatura única do campo haviam fracassado. A volta do senador à corrida, poucos dias depois, mudou novamente o tabuleiro e deixou o grupo com dois candidatos ao governo. Após uma reunião de Cleitinho com Marcos Pereira e o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, o partido retirou o veto e autorizou sua candidatura. A decisão foi anunciada três dias depois de Pereira ter descartado publicamente essa possibilidade. O Republicanos afirmou que o senador reconheceu erros cometidos durante o processo, pediu desculpas à direção partidária e assumiu o compromisso de levar a candidatura até o fim. A volta de Cleitinho, porém, não levou o PL a retirar Roscoe. Além da necessidade política de manter uma estrutura própria, o QG de Flávio passou a considerar também o risco de questionamentos jurídicos sobre a forma como o Republicanos formalizou sua candidatura. A avaliação é que não seria seguro desmontar o palanque do PL e concentrar toda a estratégia estadual numa postulação que ainda pode ser contestada. Cleitinho foi oficializado após o prazo limite das convenções. A situação chegou a ser comparada internamente a uma alternativa discutida pela própria campanha presidencial na reta final das convenções. Diante da dificuldade para definir o vice de Flávio, auxiliares chegaram a cogitar registrar a chapa indicando que haveria um candidato à Vice-Presidência, mas sem apresentar imediatamente o nome. A solução foi descartada justamente pelo temor de questionamentos posteriores, e Alfredo Gaspar (PL-AL) acabou anunciado dentro na véspera do prazo.