Encravada entre o mar e as montanhas da Zona Sul do Rio de Janeiro, a Rocinha é considerada a maior e mais populosa favela do Brasil. A comunidade cresceu impulsionada pela chegada de migrantes das regiões Nordeste e Norte em busca de trabalho e melhores condições de vida.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, a Rocinha conta com 72.021 moradores oficiais. No entanto, lideranças comunitárias estimam que a população real gire em torno de 160 mil pessoas — um contingente superior a dois terços dos municípios do estado do Rio de Janeiro. E esse enorme volume de gente se move, essencialmente, sobre duas rodas.

Moradores, comerciantes e turistas utilizam as milhares de motocicletas que transitam por ruas e vielas para as mais diversas funções: do transporte diário de passageiros e cargas ao deslocamento de visitantes estrangeiros rumo aos mirantes com vistas privilegiadas da cidade.

Dados da Associação de Moradores da Rocinha indicam a circulação de aproximadamente 5 mil motos na comunidade. Dessas, cerca de 2 mil pertencem aos chamados mototaxistas, o principal meio de transporte local. Concentrados em diversos pontos da favela, estima-se que cada piloto transporte cerca de 60 pessoas por dia.

Esse fluxo incessante dita o ritmo do cotidiano e movimenta a economia local, que conta com oficinas especializadas, lava-jatos e até concessionárias de venda de veículos. Nas vias principais, as motos dividem espaço com automóveis, caminhões de lixo, ônibus escolares, vans e linhas de transporte público regular.