Ex-secretário de Segurança do governo Tarcísio e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro mais do que dobraram bens declarados ao TSE; André do Prado teve 67% de ganho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ricardo Salles, Guilherme Derrite e André do Prado, candidatos a senador por SP em 2026 — Foto: O GLOBO A Justiça Eleitoral já recebeu registro de cerca de um terço das candidaturas a todos os cargos das eleições de 2026, e já é possível ver a evolução de patrimônio de alguns políticos em destaque. Na eleição ao senado por São Paulo, os três nomes de peso da direita que já prestaram contas tiveram evolução de patrimônio recente. As duas candidatas de esquerda, Simone Tebet (PSD) e Marina Silva (Rede) ainda não informaram seus valores. Pelos dados parcialmente disponíveis, aqueles que mais multiplicaram o valor de seus bens foram Guilherme Derrite (PP-SP) e Ricardo Salles (Novo-SP), que mais do que dobraram seus patrimônios nos últimos quatro anos. Enquanto o deputado André do Prado (PL-SP), teve um crescimento de 67% em seu patrimônio nos últimos quatro anos, Derrite e Salles conseguiram aumentos de 130% e 110%, respectivamente, em dados corrigidos para inflação, desde as eleições de 2022, quando entregaram suas declarações de bens pela última vez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Marina Silva e Simone Tebet ainda não registraram suas candidaturas, e têm até dia 15 para fazê-lo, quando devem entregar também suas declarações públicas de bens. O candidato a senador por São Paulo com maior patrimônio entre os já confirmados é Salles, que possui R$ 9,05 milhões em bens, divididos entre sua casa na capital e duas propriedades rurais, uma em Portugal e outro no interior do estado. Derrite, por sua vez, possui a maior parte de seu patrimônio concentrada em um terreno de R$ 1,17 milhão adquirido no período. O restante de seus bens está fragmentado em contas bancárias, aplicações financeiras e bens menores. "Todos os bens e valores do candidato foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral, com total transparência e em conformidade com a legislação", afirma a direção da campanha de Derrite, em comunicado. "A evolução patrimonial registrada no período decorre de rendimentos lícitos e da própria composição do patrimônio familiar, incluindo investimentos e aquisição/valorização de bens ao longo dos últimos anos." André do Prado, que possui o menor patrimônio (R$ 692 mil) entre os três candidatos da direita já registrados, não declarou ao TSE a posse de nenhum imóvel em seu nome. Seus bens se dividem entre um carro e sua liquidez bancária. "Os valores declarados por André do Prado ao TSE refletem seu patrimônio declarado em cada eleição e são totalmente compatíveis com sua renda e sua trajetória profissional e pública" afirmou a campanha do deputado em nota ao GLOBO. "Portanto, a variação apresentada entre as declarações é compatível com sua renda, com sua capacidade de poupança e com a organização de seu patrimônio ao longo dos anos." Entre os três candidatos de direita, Salles é o que tem maior histórico de patrimônio rastreável publicamente pelo TSE, porque tem sido candidato a diferentes cargos há mais de 20 anos. Seu patrimônio oscilou para baixo e para cima em diferentes momentos, mas hoje o deputado possui bens em menor valor declarado do que quando começou na política (cerca de metade) quando descontada a inflação. — Desde 2023, eu voltei a advogar, e com juros de 15% ao ano os valores em aplicações crescem bastante — disse Salles, justificando a aceleração mais recente no acúmulo de seu patrimônio. Veja abaixo os totais declarados de patrimônio que cada um dos três candidatos declarou nas eleições estaduais que disputaram (em valores absolutos, não ajustados para inflação): André do Prado 2010 - R$ 141.1162014 - R$ 261.3922018 - R$ 596.4172022 - R$ 381.8202026 - R$ 692.610 Guilherme Derrite 2018 - R$ 354.2762022 - R$ 812.7882026 - R$ 2.021.196 Ricardo Salles 2006 - R$ 5.837.2742010 - R$ 2.328.0002018 - R$ 8.859.4142022 - R$ 3.970.0002026 - R$ 9.050.000