Se o jornalismo é o primeiro rascunho da história, Cláudio de Oliveira já pode dizer que é, hoje, um dos mais longevos esboçadores dos rumos do Brasil em atividade desde o fim dos anos 1970. Ao mesmo tempo, é um dos mais jovens —aos 63, o cartunista nascido em Natal e na Folha desde 1993, completou 50 anos de carreira em julho.
O primeiro trabalho —uma charge sobre uma partida de futebol entre o ABC e o América, publicada no jornal potiguar Tribuna do Norte, aos 13— era bem menos cabeçudo e ácido do que aquele ao qual se dedica até hoje, com críticas políticas à quente nas páginas do jornal e no seu blog Cláudio Hebdô.
"O trabalho do chargista é como o desentupidor de fossa", diz Cláudio, às risadas, citando uma frase de Jaguar, cartunista morto no ano passado. "Todo dia tem que botar a mão na merda mesmo."
Prolífico, com novos desenhos praticamente todo dia, o artista estima ter feito mais de 14 mil charges nessas cinco décadas, grande parte já reunida em 36 livros. O mais recente deles é "Fogo Amigo 1 - A Economia no Governo Lula 3", disponível em ebook na Amazon.
É um mergulho nas tensões recentes entre o núcleo político do PT e a equipe econômica, num cenário com debates sobre juros altos, reforma tributária e meta de gastos, a partir dos trabalhos publicados na Folha. "O livro vai além de uma mera compilação. Você vê os fatos concatenados, faço uma interpretação", diz ele, que também é jornalista e redige textos de apoio que conduzem o fio do noticiário.








