Organização Legisla Brasil mostra que nas eleições municipais de 2024 uma candidatura jovem recebeu, em média, 64% menos do que o destinado ao financiamento de candidaturas mais velhas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidato jovem tem menos recurso e mais dificuldade de se eleger, aponta estudo — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Os candidatos jovens enfrentam mais dificuldades para se eleger no Brasil, mesmo quando participam ativamente da política partidária. Um estudo da organização Legisla Brasil mostra que candidatos de 18 a 29 anos têm taxas de sucesso eleitoral inferiores às das faixas etárias superiores e recebem menos recursos para financiar suas campanhas. Nas eleições municipais de 2024, uma candidatura jovem recebeu, em média, R$ 23 mil para financiar a campanha, o equivalente a 64% dos cerca de R$ 36 mil destinados às candidaturas mais velhas. No mesmo pleito, os jovens de 18 a 29 anos representaram apenas 6% dos vereadores eleitos. O levantamento analisou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dos quatro ciclos eleitorais entre 2018 e 2024 e ouviu 62 jovens que são ou já foram filiados a 16 partidos de centro, direita e esquerda. A pesquisa identificou quase 30 mil candidatos de 18 a 29 anos somente em 2024, afastando, na avaliação dos pesquisadores, a hipótese de que a baixa presença de jovens entre os eleitos seja explicada simplesmente por desinteresse pela política. Parte da dificuldade está na lógica usada pelos próprios partidos para decidir onde concentrar recursos. Para Débora Tomé, professora do IDP e doutora em Ciência Política, é natural que as legendas privilegiem candidaturas nas quais enxergam maior potencial eleitoral. O mecanismo, porém, tende a prejudicar justamente os mais jovens, que ainda não tiveram oportunidade de demonstrar capacidade de obter votos. “É normal e esperado que o partido invista em quem ele acha que tem chance de ganhar. E aí qual é a nossa dificuldade maior? Quem tem chance de ganhar não é quem concorre pela primeira vez”, afirma. “Não é uma coisa assim: ‘eu odeio jovens, então não vou botar dinheiro na campanha de jovem’. É porque ele quer alguém que já tenha dado sinais de que tem potencial de voto”, ela explica. O cenário muda quando a comparação é feita entre vereadores que já conseguiram se eleger. A taxa de reeleição dos mais jovens foi de 64,6% em 2024, acima dos 59,3% registrados entre os demais. Em 2020, a relação já era semelhante: 57% contra 53,6%. Para Luiz Locatelli, pesquisador do Cepesp-FGV, o resultado reforça a existência de um filtro anterior à chegada ao mandato. “O jovem que consegue o primeiro mandato no Brasil venceu barreiras de recursos, de acesso a redes de networking e de espaço dentro do partido que a maioria dos candidatos mais velhos não enfrentou na mesma intensidade”, afirma. Para ele, “trata-se de um problema de porta de entrada e não de desempenho”. O peso dessa porta de entrada ajuda, segundo Locatelli, a explicar também a presença de integrantes de famílias políticas entre os jovens que chegam ao Parlamento. Um candidato mais velho teve tempo para acumular redes, notoriedade e relações partidárias. Jovens ligados a famílias tradicionais podem receber parte desse capital de saída. “Quando um jovem chega herdando sobrenome, base eleitoral e estrutura de campanha da família, o capital que ele não teve tempo de construir foi transferido por herança”, diz. As barreiras são maiores quando juventude se combina a gênero e raça. Em 2024, mulheres jovens tiveram taxa de sucesso de 5,3%, ante 16,9% dos homens jovens. O estudo aponta ainda que, mesmo controladas variáveis como patrimônio, escolaridade, região e partido, ser mulher reduz em 79% a chance de eleição, enquanto ser preto ou pardo diminui essa probabilidade em cerca de 40%. Nas entrevistas feitas pela Legisla Brasil, jovens relatam ainda pouco acesso aos espaços de decisão das legendas e reclamam de serem mobilizados para atividades de campanha sem participação equivalente nas escolhas partidárias. Formação política, mentorias, recursos e maior presença nas instâncias decisórias aparecem entre suas principais demandas. Apesar das dificuldades, 80% dos participantes da consulta pública afirmaram que pretendem continuar politicamente ativos.
Candidato jovem tem menos recurso e mais dificuldade de se eleger, aponta estudo
Organização Legisla Brasil mostra que nas eleições municipais de 2024 uma candidatura jovem recebeu, em média, 64% menos do que o destinado ao financiamento de candidaturas mais velhas








