Houve uma simulação da interrupção das comunicações no caso de um ataque chinês ou de um desastre natural 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Taiwan reduziu a velocidade da internet móvel em uma grande área da região central da ilha nesta segunda-feira pela primeira vez durante seus exercícios militares anuais, simulando uma interrupção das comunicações no caso de um ataque chinês ou de um desastre natural. Governado democraticamente e reivindicado pela China como parte de seu território, Taiwan convive há décadas com a ameaça de uma invasão chinesa e realiza todos os anos exercícios militares e simulações de ataques aéreos, durante os quais as pessoas deixam as ruas por 30 minutos. Durante o exercício de “throttling” da internet, realizado nesta segunda-feira principalmente na grande cidade central de Taichung, apenas os serviços básicos de telefonia móvel funcionaram. Outras funções, incluindo caixas eletrônicos, semáforos, telefones fixos e serviços de internet fixa, não foram afetadas. As sirenes de ataque aéreo soaram em Taichung, e as pessoas deixaram as ruas a partir das 14h30 (3h30 em Brasília), enquanto o governo enviava simultaneamente mensagens de texto em chinês e inglês aos usuários de celulares, alertando sobre “ataques aéreos simulados contra a infraestrutura de comunicação”. O governo havia divulgado amplamente o exercício com antecedência, inclusive por meio de publicações nas redes sociais, e a maioria das pessoas ouvidas pela Reuters na estação ferroviária de Taichung estava preparada. “Assim como na guerra entre Rússia e Ucrânia, eles ficaram sem internet. Talvez também porque Taiwan esteja em uma situação de maior risco, então esse tipo de exercício pode ajudar todos a entender a situação naquele momento — o que pode acontecer e como responder”, disse Lin Hong-chun, de 46 anos. Ainda assim, houve algumas reclamações, embora as pessoas, em geral, apoiassem o exercício. “Se fosse possível, eu ainda preferiria ficar em casa e passar por isso lá. Vivenciar isso do lado de fora é realmente muito incômodo”, disse Yen Po-ting, de 23 anos, de dentro da estação, cujos portões foram fechados para impedir que os passageiros saíssem. O mesmo exercício será repetido na quinta-feira no norte de Taiwan, incluindo a capital, Taipei. Exercícios no Estreito de Taiwan O governo de Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim e afirma que apenas a população da ilha pode decidir seu futuro. Mais cedo nesta segunda-feira, as Forças Armadas de Taiwan simularam a repulsão de um ataque chinês de desembarque aéreo nas estratégicas ilhas Penghu. O exercício militar Han Kuang, com duração de dez dias, começou na semana passada e simula diferentes cenários para o caso de a China concretizar as ameaças de tentar tomar a ilha à força. A Reuters teve acesso raro ao exercício e acompanhou tropas terrestres carregando munição para tanques e assumindo posições de tiro no escuro antes do início da simulação. Tropas do Primeiro Comando de Teatro abriram fogo nas primeiras horas da manhã em uma praia de Penghu, localizada no Estreito de Taiwan, usando tanques M60A3, diversas peças de artilharia e armas antiaéreas. As tropas se uniram para formar o que os militares chamaram de uma defesa “em múltiplas camadas” contra um inimigo simulado que tentava realizar um rápido desembarque na costa. Penghu, que está mais próxima da costa da principal ilha de Taiwan do que da China, é vista pelos estrategistas taiwaneses como um possível primeiro alvo de Pequim. A China poderia tentar tomar as ilhas e usá-las como base para atacar Taiwan com mísseis e drones. Reservistas de Penghu participaram do exercício como parte de seu programa de treinamento de 14 dias. As Forças Armadas de Taiwan trabalham para integrar melhor as forças de reserva ao planejamento operacional e tornar seus preparativos mais realistas. Soldados participam dos exercícios militares anuais em Yilan, em Taiwan — Foto: AP Photo/Chiang Ying-ying, Pool