Transferência do marfinense Yan Diomande para o Real Madrid por R$ 736 milhões é mais uma das lucrativas transações do clube alemão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Yan Diomande é a venda mais cara da história do RB Leipzig — Foto: Ronny HARTMANN / AFP A transferência de Yan Diomande do RB Leipzig para o Real Madrid por 125 milhões de euros (R$ 736 milhões na cotação atual) passou um recado para o mundo do futebol. Não sobre o já conhecido poderio financeiro do gigante espanhol, mas sim sobre o clube alemão, que se credenciou como um dos melhores vendedores da Europa. Contratado em 2025 por 20 milhões de euros, o atacante marfinense de 19 anos foi vendido uma temporada depois por mais de seis vezes o valor inicial, um lucro de 525%. Diomande é a cereja do bolo de um projeto que existe há quase 20 anos. Antes dele, o clube alemão já havia lucrado com nomes como Gvardiol, Dani Olmo, Szoboszlai, Šeško e Xavi Simons. Série de contratações que coloca o Leipzig na mesma prateleira de Benfica, Ajax, Borussia Dortmund e Brighton no quesito venda de atletas. As cinco vendas mais caras da história do RB Leipzig — Foto: Editoria de Arte Para Seb Stafford-Bloor, correspondente de futebol alemão no site americano The Athletic, a força do departamento de scout do clube e a proposta de ser uma espécie de trampolim para jovens estão por trás do sucesso. — Um dos fatores é a identificação de talentos. O tamanho da rede Red Bull ajudou. Outra coisa é que eles têm esses exemplos de jogadores que venderam e, quando estão contratando novos atletas, mostram: “Venham para cá, porque em dois ou três anos, quando estiverem prontos, nós vamos vendê-los. Vocês não vão ficar presos aqui” — analisou. A estratégia do Leipzig é clara: contratar jogadores jovens em desenvolvimento para se valorizarem rapidamente. Dentro desta linha, o clube não abre mão de seu modelo de jogo e procura atletas do tipo dinâmico e ofensivo. Um dos motivos pelos quais essa estratégia funciona tão bem é que o futebol alemão tem um estilo de jogo baseado em transições e ofensivo. Portanto, os jogadores de ataque têm muitas oportunidades para se destacar e pontas, atacantes e jogadores de transição são os que mais se valorizam na liga. Além disso, o clube é criterioso nas contratações. Não mira atletas com salários astronômicos vindos, por exemplo, da Premier League. Pinça reforços de ligas alternativas ou de times de menor escalão: Diomande veio do modesto Leganés, da Espanha, e Dani Olmo, hoje no Barcelona, do Dínamo de Zagreb, da Croácia, por exemplo. — Você não está comprando no topo do mercado, está buscando jogadores em ligas complementares para desenvolvê-los. Isso ajuda bastante porque significa que você tem a oportunidade máxima de gerar lucro — refletiu Stafford-Bloor. Nesse processo, a integração com a rede Red Bull se tornou um diferencial. O Salzburg, da Áustria, funciona frequentemente como primeiro degrau para atletas promissores, que depois são levados ao Leipzig para encarar um nível de exigência maior antes de alcançarem a elite do futebol mundial. Szoboszlai, hoje no Liverpool-ING, Upamecano, no Bayern de Munique-ALE, e Benjamin Šeško, no Manchester United-ING, trilharam esse caminho antes de serem negociados por cifras milionárias. — Todo o conjunto de clubes do grupo Red Bull tem um trabalho de identificação de talentos muito qualificado e alinhado, com equipes de mercado arrojadas. Não basta identificar algo especial. É preciso ser ágil para tornar viável a contratação — destacou Thiago Freitas, diretor de operações da Roc Nation Sports, empresa que agencia a carreira de Diomande e de estrelas como o brasileiro Vinicius Junior. — Não surge um atleta como Diomande todos os anos, mas todos os anos o Leipzig vai buscar um que possa gerar uma mais-valia de dezenas de milhões. Todos esses contextos fazem o clube alemão se transformar em uma espécie de vitrine para os gigantes europeus. Ao contratar um jogador do Leipzig, equipes como Real Madrid, Manchester City, Liverpool, Chelsea ou Bayern de Munique sabem que estão adquirindo atletas já testados em uma liga competitiva e, na maioria dos casos, com experiência em Liga dos Campeões, reduzindo o risco do investimento. Lugar na cadeia alimentar Não significa necessariamente que, se o atleta tiver sucesso no Leipzig, como Diomande, o mesmo se repetirá no Real. No entanto, o salto não é tão grande. — O Leipzig é um negociador duro, como a novela do Diomande demonstrou, mas não vai bloquear a sua progressão. Reconhece o lugar na cadeia alimentar, sabe que está logo abaixo da elite e dá ao atleta a oportunidade de dar o próximo passo. Essa reputação foi conquistada com méritos e é muito importante — concluiu Seb.