Friedrich Merz está lendo "Magnifica Humanitas" (Humanidade Magnífica, na tradução do latim), a primeira encíclica do papa Leão 14 e um alerta para a marcha da inteligência artificial. O premiê alemão está em férias, dentro do que é possível chamar de férias no cargo, e suas leituras têm relativo interesse público. Ainda assim, a escolha mereceu comentários, não pelo conteúdo, mas pelo momento que vive o conservador.

Há 15 meses no comando da maior economia da Europa, estagnada desde a pandemia, Merz soa como um desastre anunciado, a exemplo de seu objeto de leitura. Está com a popularidade no chão, com 83% dos alemães se dizendo insatisfeitos com seu trabalho, começa a lidar com sinais preocupantes de atrito dentro do próprio partido e patina nas reformas.

Militante instala cartaz de campanha eleitoral em Berlim com ilustração de Friedrich Merz nocauteado por 'cortar pensões'; a cidade-estado realiza eleições em setembro - John MacDougall/AFP

Até quando as coisas parecem estar dando certo, algo acontece para atrapalhar. Uma complexa reforma da Previdência, gestada quase que por milagre por uma comissão de políticos e especialistas, caminhava para aprovação até entrar na mira de ministros-presidentes, o equivalente a governadores no país.