O Brasil vive nos últimos anos uma espécie de anomia programada crônica. A coreografia é conhecida: o Congresso Nacional, capturado por interesses particulares ou lobbies paroquiais, legisla contra os interesses do país. O Executivo tenta barrar os absurdos, é derrotado, e a matéria é levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que se tornou o credor de último recurso da sanidade nacional. Não raro, ao tentar salvaguardar a Constituição, a corte ainda é tachada de "ativista".

Uma das maiores vítimas desse balé trágico tem sido a legislação ambiental. Embora 79% dos brasileiros se digam preocupados com o meio ambiente (Ipsos/ITS, 2025), 89% afirmem que as mudanças climáticas são um problema real (Ipsos-Ipec/ICS, 2025) e 65% achem que elas deixam a comida mais cara (Ipsos/ITS), deputados e senadores em Brasília se lixam para as preocupações do eleitor: trabalham de forma obstinada e, mais do que qualquer outro grupo de pessoas, para arrasar as normas ambientais brasileiras, agravando a crise climática (entre outras).

Há um ano, suas excelências promoveram o mais grave retrocesso legislativo da história em matéria de meio ambiente ao assassinar o licenciamento, pedra angular da proteção ambiental. O presidente da República vetou os piores pontos da lei, mas os vetos foram derrubados. Previsivelmente, a sandice foi judicializada. Na semana passada, aterrissou no plenário do STF.