A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), foi alvo de ataques dos adversários durante o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Buriti, realizado pela Band neste domingo. O principal foco das críticas foi a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Ao mesmo tempo, Celina buscou se desvincular politicamente do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, e disse que o Distrito Federal "jamais" vai voltar a eleger um governador que foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em referência ao próprio Ibaneis. O banco estatal está no centro da crise de fraude financeira envolvendo o Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio levou à saída de Paulo Henrique Costa, que esteve no comando do BRB e está preso sob suspeita de participação nas irregularidades. Foi nesse contexto que o banco se tornou um dos principais alvos dos candidatos durante o debate. Além de Celina, participaram do debate os candidatos José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), na primeira rodada de confrontos entre os postulantes ao governo do Distrito Federal nas eleições deste ano. O primeiro bloco do debate começou com uma rodada de declarações de cada candidato com seus principais objetivos caso sejam eleitos para comandar o DF a partir do ano que vem. Na sequência, cada candidato fez perguntas a um dos adversários. Nessa rodada, Leandro Grass, em uma “dobradinha” com Arruda, afirmou que a gestão de Ibaneis e Celina teria provocado um rombo estimado entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões no banco e classificou o caso envolvendo o Master como “o maior escândalo de corrupção da história do Brasil”. O candidato do PT também prometeu investigar a situação do banco caso seja eleito e disse que sua primeira medida seria “abrir a caixa do BRB”. — O que tem lá dentro? Quem é que mexeu? Para onde foram os bilhões? Está na conta de alguém, está em paraíso fiscal, está debaixo do colchão de alguém? Virou caixa dois de campanha? Tem que responder — disse. Na sequência, José Roberto Arruda (PSD), que respondia à pergunta de Grass, também criticou a condução do banco pelo governo. O ex-governador defendeu a troca da direção indicada pelo Executivo, o fechamento das agências do BRB fora de Brasília e o fim de patrocínios, citando contratos com times de futebol, Fórmula 1 e salas VIP. Arruda afirmou ainda estar preocupado com a possibilidade de o governo estar adiando uma solução para o banco para depois da eleição. — Eu estou muito preocupado de estar empurrando o BRB para a barriga para deixar quebrar depois da eleição — afirmou. Grass retomou o tema e disse que o banco teria se transformado em um “brinquedo na mão de milionário”, além de criticar a expansão do BRB para negócios que, segundo ele, não teriam relação com a função da instituição. O petista também questionou a falta de transparência sobre a situação financeira do banco e afirmou que não seria possível confiar nas informações apresentadas pelo governo sem a publicação de balanços e auditorias. — Não tem como acreditar no que eles dizem se não tem transparência e credibilidade. É por isso que a primeira medida que a gente vai tomar, quando começar a governar Brasília, é abrir a caixa do BRB — afirmou. Antes disso, contudo, Celina já havia tentado se distanciar, logo de cara, do escândalo, que tem sido um dos principais passivos de sua candidatura. Durante suas primeiras fala no debate, ela disse que não participou da decisão relacionada ao Banco Master e disse que foi contrária à operação na época. A governadora, porém, afirmou que assumiu a responsabilidade de buscar uma solução para preservar o BRB. — Eu não escolhi os problemas que eu herdei, mas eu o assumi com muita responsabilidade. (...) Herdamos uma grave crise no BRB. Eu não participei, fui contrária à época, mas, como responsável agora como governadora, tenho que realmente resolver o problema do banco. E a minha ação nunca foi cruzar os braços. A minha ação foi ir à luta para defender esse patrimônio, que é um patrimônio da cidade — afirmou. A tentativa de se afastar da imagem de continuidade de Ibaneis também apareceu. Ao falar sobre políticas para mulheres, Celina afirmou ter uma trajetória política própria e rejeitou ser apresentada apenas como sucessora do ex-governador. — Eu tenho nome, tenho biografia. Eu não sou apêndice de Ibaneis Rocha, não sou sucessão somente de Ibaneis Rocha. Eu sou um novo governo, um novo projeto. Sou Celina Leão — disse. Durante outro trecho do debate, em que os candidatos novamente podiam fazer perguntas uns aos outros, Celina escolheu questionar Kiko Caputo, que aproveitou seu tempo de resposta para criticar a "briga política" que estava tomando as discussões e questionou as declarações de Celina de que não teria envolvimento com o Master. Em resposta, Celina trouxe ao debate o fato de Kiko já ter atuado como presidente da OAB-DF, assim como o ex-governador Ibaneis Rocha, e questionou se o candidato pretendia "trazer a disputa da ordem para o governo do Distrito Federal" - o que Kiko acabou ironizando. — Vou dizer de OAB. O último governador (Ibaneis) foi da OAB e acho que o Distrito Federal outro presidente da OAB — afirmou. A governadora apresentou ainda ações de sua gestão voltadas às mulheres, como a Casa da Mãe Atípica. — Invista em mulheres. Eu acredito que as mulheres devem estar no seu lugar de fala, no seu lugar de poder — afirmou. A saúde foi outro foco de confronto. Ricardo Cappelli (PSB) questionou a falta de profissionais na rede e as filas de pessoas aguardando cirurgias — Cadê o dinheiro da saúde? — questionou diversas vezes Cappelli. O candidato também prometeu construir dez novas policlínicas e ampliar o horário de funcionamento das unidades básicas de saúde para atender trabalhadores. — Eu não vou dormir enquanto eu vejo, como tem hoje, mais de 30 mil pessoas aguardando na fila da cirurgia — disse. Celina respondeu atacando a trajetória política de Cappelli e o chamou de “forasteiro”, afirmando que o candidato não conheceria a realidade do Distrito Federal por não ter participado da política local. Em defesa da própria gestão, Celina disse ter investido mais de R$ 60 milhões em obras nos hospitais desde que assumiu o governo e afirmou ter instalado tomógrafos nas unidades. — Eu sou uma governadora que visita a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), eu sou uma governadora que visita hospital. Eu visito para escutar, para fazer — disse. Michelle assiste ao debate O debate para o governo do DF foi acompanhado ao vivo por Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que assistiram juntas ao programa na casa de Simão Sarkis. As três são próximas da governadora Celina Leão e mantêm uma relação de amizade próxima com ela.
Celina é alvo de adversários por crise do BRB no caso Master e tenta se descolar de Ibaneis em debate no DF
Candidatos tentam desgastar atual governadora e ex-vice, que se defende dizendo que não é ‘apêndice’ de ex-governador








