Imagens obtidas pelo Fantástico mostram como funciona o golpe da falsa central bancária. Enquanto a vítima acredita estar seguindo um procedimento de segurança, os golpistas a induzem a fazer uma transferência. Na última sexta-feira (7), um homem foi preso em flagrante depois de tirar R$ 17.400 de duas contas de um idoso de 82 anos. O caso aconteceu em um banco em Guarulhos (SP), mas a fraude começou em Belo Horizonte (MG), com uma ligação que induziu a vítima a entregar tudo o que tinha. Em outro caso, um advogado de Cascavel (PR) teve um prejuízo de aproximadamente R$ 600 mil. Os golpistas tiraram dinheiro da conta, esgotaram o cheque especial e fizeram um financiamento em nome da vítima. O advogado relatou ter recebido uma mensagem de um contato com a foto e o número de telefone da gerente do seu banco. Os criminosos apresentaram um suposto pagamento com os dados da vítima e perguntaram se ela reconhecia a operação. Na sequência, afirmam que um especialista em segurança entraria em contato. Esse falso funcionário ajudaria a cancelar as supostas operações suspeitas, mas seu objetivo é induzir a vítima a seguir os passos necessários para cair no golpe. A vítima não conseguiu ressarcir o prejuízo que sofreu com o golpe. "Eles acharam uma forma muito mais fácil de fazer esse roubo. Nem explosão de caixa eletrônico acontece mais", disse. "Você sai de vítima para inadimplente e sem recurso, sem amparo". Para o delegado Everson Aparecido Contelli, os criminosos recorrem a gatilhos de autoridade ao se apresentarem como funcionários do banco. "Qualquer pessoa pode cair. Temos acompanhado aqui pessoas com mestrado, com doutorado", afirmou. A estratégia é atacar em massa e incluir disparar a mesma farsa para dezenas de pessoas ao mesmo tempo. "Evidentemente, o criminoso não espera sucesso em todos. Mas no mínimo que ele alcança, já acaba causando um prejuízo muito significativo", disse Contelli. Estratégia de golpistas é atacar em massa e disparar mesma farsa para dezenas de pessoas ao mesmo tempo — Foto: Reprodução/TV Globo Segundo o delegado Adair Marques Correia Junior, as quadrilhas de diferentes estados têm trabalhado juntas. "Algumas replicam sites de bancos, outras quadrilhas trabalham com os contatos com as vítimas. Outra é responsável por obter esses vazamentos de dados dos bancos", afirmou. Uma operação realizada em julho terminou com 22 prisões e a apreensão de celulares, computadores e documentos usados em uma casa que funcionava como uma falsa central bancária. Segundo a investigação, o grupo mantinha dados sigilosos das vítimas. O local tinha até mesmo uma espécie de quadro de metas, que revelava os objetivos definidos para cada mês. Vídeo mostra vítima caindo em golpe da falsa central bancária — Foto: Reprodução/TV Globo Em 30 cidades da região noroeste do estado de São Paulo, a falsa central equivale a metade dos golpes. Mirassol é a cidade da região com o maior número de casos: diariamente, duas pessoas do município são vítimas desse tipo de crime. Uma cidade pequena geralmente vira alvo desses golpes por dois motivos: os criminosos ligam para uma sequência de números de celular com o mesmo DDD ou conseguem informações privilegiadas sobre clientes de uma determinada agência bancária. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explica que não há qualquer pedido de transferência por nenhuma instituição financeira. "A conta mais segura é a sua conta protegida pelas suas credenciais, seus tokens e suas senhas", disse Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação da Febraban. Segundo ele, a recuperação do dinheiro depende de alguns fatores. "Primeiro, da velocidade com que o cliente percebeu esse golpe. Esse fluxo financeiro acaba sendo redirecionado para múltiplas contas. Vai depender também das políticas internas de cada uma das instituições".