A paixão pelo vinho não nasceu numa sala de reuniões de Wall Street, nem nos comitês de investimento da Bunge, a gigante global do agronegócio que Alberto Weisser comandou por anos viajando cerca de 90 noites em um ano. Começou no início da década de 1970 nas mesas de restaurantes franceses de São Paulo — o Freddy, ainda aberto, e o extinto La Cocagne. O jovem executivo em formação, levado pelos pais da namorada em fins de semana ensolarados, deu os primeiros goles em rótulos nacionais e nas poucas garrafas importadas que cruzavam a fronteira. Nasceu o interesse em harmonizar comida e vinho.

O ponto de inflexão veio em 1974. Uma hepatite severa o levou à cama por meses. Weisser usou o tempo livre para fazer uma lista de desejos para quando recuperasse a saúde: comer um pedaço de queijo Roquefort com uma taça de tinto e viajar à Borgonha para andar entre as vinhas. A Borgonha ficou para depois; o Roquefort com tinto foi saboreado. A mesma doença que o afastou do serviço militar para o qual havia se voluntariado liberou tempo para se dedicar à universidade, onde se formou em administração de empresas.

Filho de mãe alemã e de pai nascido em Belém do Pará — que aos nove meses foi para a Suíça, lá foi educado e voltou ao Brasil pouco antes da guerra —, Weisser cresceu em São Paulo em escola alemã, de onde vem o sotaque que mistura as duas línguas com o inglês. O pai, vendedor, morreu aos 51 anos; a mãe, enfermeira, parou de trabalhar ao nascer a primeira dos quatro filhos. A partir dos 15 anos, Weisser trabalhou à noite numa clínica médica para ajudar no orçamento da casa, enquanto cursava Administração na USP.