Lucas Silva Lopes subia lentamente a rampa do prédio de direito da PUC-Campinas todas as noites, de segunda a sexta, com ar soberano e distribuindo sorrisos às dezenas de pessoas que diziam: "Boa noite, Lucas!".

Foi assim durante cinco anos. Quando apontava no fim do trajeto, o segurança do campus o esperava, quase como um hábito indissociável de seu ofício. "Boa noite, mestre!", saudava o jovem estudante. Os carros paravam com respeito, e o funcionário o acompanhava até a porta da van.

Lucas Silva Lopes (1996-2026) - Arquivo pessoal

O caminhar lento se devia menos ao fato de Lucas ter paralisia cerebral e precisar de muletas para se mover, e mais às interações de amor com colegas e funcionários da PUC. Era uma celebridade entre seus pares.

Na terça-feira (4), muitos desses amigos se despediram de Lucas no cemitério de Hortolândia, no interior de São Paulo. Ele foi encontrado morto em Mogi Mirim, no domingo (2), vítima de um homicídio ainda pouco explicado.