Ao invés da habitual instrução para que o público desligasse os celulares, o que se viu nesta sexta no Theatro Municipal foi justamente o contrário: ao entrar no palco, o compositor Tan Dun solicitou que a plateia, por meio de um QR code projetado em cena, baixasse um arquivo de áudio em seus celulares e deixasse o volume no máximo.
Foi feito, então, um rápido ensaio com o público, combinando o comando do maestro tanto para disparar como para pausar o arquivo eletrônico que traz sons de pássaros emulados por instrumentos tradicionais chineses.
Assim, quando chamada, a audiência participou ativamente da performance de "Passacaglia: Segredo do Vento e dos Pássaros" —que estreou em 2015 no Carnegie Hall de Nova York—, obra para orquestra sinfônica e celulares do compositor e maestro chinês radicado nos Estados Unidos.
Seguindo o esquema das passacaglias barrocas, um ciclo –aqui de apenas sete notas– é repetido obsessivamente, servindo de estrutura para múltiplas variações contrastantes, nas quais todos os ingredientes da música de Tan Dun estão presentes.
Nascido há 68 anos na província de Hunan, no centro da China, Tan Dun estudou no Conservatório Central de Pequim e, depois, na Universidade de Columbia, em Nova York, onde obteve o doutorado em artes.











