O presidente do Chile, José Antonio Kast, recrutou no mundo dos negócios o atual ministro de Relações Exteriores. Francisco Pérez Mackenna, 68, era, até janeiro, CEO da Quiñenco, um conglomerado que atua nos setores financeiro e industrial. No novo cargo, ele diz que um dos focos é abrir novos mercados, com parceiros de confiança.

A estratégia serve também para mitigar os efeitos do tarifaço de Donald Trump. Assim como o Brasil e dezenas de outros países, o Chile é alvo de sobretaxa de 12,5% em produtos exportados aos Estados Unidos, sob a justificativa de que importam produtos fabricados com o uso de trabalho forçado.

"Negociar é ter alternativas, mais do que argumentos", afirmou o ministro à Folha na semana passada, durante viagem ao Brasil que incluiu um encontro com o colega brasileiro, Mauro Vieira.

"Nossos produtos têm muitas alternativas. Há grande interesse pelo salmão em outras partes do mundo", disse, citando o segundo produto que mais exporta, atrás do cobre. Ele ressaltou a importância dos EUA para a economia local, e afirma que por isso foi à mesa de negociação.

Para ele, empresários brasileiros deveriam avaliar investimentos no Chile, principalmente no setor de manufatura. Os países têm um tratado comercial desde 2018.