Flávio afirma ter estudado a legislação antes da convenção do PL e ex-presidente nega aval, em meio a questionamentos no STF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro se emociona durante mensagem de versão IA do pai, Jair Bolsonaro, durante convenção do PL — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo Seis em cada dez brasileiros (60%) afirmam não saber da existência do vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) feito com inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL, onde seu primogênito, Flávio Bolsonaro (PL), foi oficializado candidato à Presidência. É o que aponta um novo recorte da pesquisa Genial/Quaest, divulgado neste sábado. O senador defendeu a produção do conteúdo, com imagem e voz do pai recriadas pela IA, em meio a questionamentos do tema no Supremo Tribunal Federal (STF). Já o ex-presidente afirmou não ter dado aval para o uso de seu perfil no evento. Apesar da repercussão judicial, segundo o recorte obtido pelo Estadão, apenas 40% dos eleitores disseram ter conhecimento do vídeo. O recurso é majoritariamente desconhecido até mesmo entre os apoiadores da família Bolsonaro: 55% dos eleitores afirmaram não saber do uso de IA. Outros 45% indicaram saber que a campanha de Flávio havia feito uso da tecnologia para criar falas do ex-presidente. Na direita não-bolsonarista, o eleitorado se dividiu nessa questão: 50% a 50%. Ainda de acordo com a Genial/Quaest, o desconhecimento sobre o uso de IA pela campanha de Flávio é maior entre as mulheres (70%). Entre os homens, a maioria (52%) destacou que sabia, sim, do uso do recurso. Para metade do eleitorado (50%), o uso de IA em vídeos do ex-presidente pela campanha de Flávio é um problema. Outros 43% avaliaram não haver problema na adoção do recurso, e 7% não souberam ou não responderam. O levantamento foi realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06591/2026. Relembre a polêmica O candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), saiu em defesa do vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi exibido durante a convenção nacional do partido. Em meio ao questionamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o uso da peça, o senador afirmou que a campanha estudou previamente a legislação eleitoral e concluiu que não havia qualquer irregularidade na iniciativa. Segundo Flávio, Bolsonaro não tinha conhecimento de que o vídeo seria exibido durante a convenção. O senador afirmou que a decisão foi tomada pela campanha e sustentou que a peça respeitou as regras da Justiça Eleitoral por informar, logo no início da gravação, que a imagem e a voz do ex-presidente haviam sido recriadas por inteligência artificial. — O presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que iria passar um vídeo dele na convenção. Nós estudamos a legislação e vimos que não tinha nada de errado. A legislação diz, em tese, que durante as eleições você não pode usar IA para promover mentiras, fazer apoio a um candidato ou ataque sempre que tiver a intenção de ludibriar — afirmou durante uma transmissão nas redes sociais. Flávio também afirmou que a exibição do vídeo teve um significado pessoal diante da impossibilidade de o pai participar da campanha. Ele disse ter se emocionado porque a gravação permitiu que os apoiadores voltassem a ouvir a voz do ex-presidente após mais de um ano. As declarações reforçaram a estratégia jurídica já adotada pela defesa de Bolsonaro e pela campanha do PL. Como mostrou o GLOBO, os advogados do ex-presidente informaram ao STF que ele não foi comunicado previamente sobre a produção nem sobre a exibição do vídeo e que toda a iniciativa partiu da campanha presidencial de Flávio e do Partido Liberal. A defesa sustentou que Bolsonaro sequer poderia ter dado essa autorização em razão das restrições de contato impostas pelo ministro no âmbito da execução penal. E acrescentou que, desde a decisão proferida em 17 de julho, o ex-presidente está com o direito de visitas suspenso por 30 dias, enquanto Flávio Bolsonaro está proibido de visitá-lo por 90 dias — circunstância que, segundo os advogados, demonstra a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção dessa autorização. Os advogados também argumentaram que, muito antes das medidas cautelares, os filhos de Bolsonaro já utilizavam sua imagem pública em atividades político-partidárias. Segundo a petição, desde o período em que exercia a Presidência da República, eles reproduzem fotografias, gravações, discursos, entrevistas e outras manifestações públicas do ex-presidente, prática que teria ocorrido de forma contínua e sem qualquer oposição do pai. A manifestação foi enviada após Moraes determinar que a defesa esclarecesse se Bolsonaro autorizou o uso de sua imagem. Na decisão, o ministro apontou que um eventual aval do ex-presidente poderia configurar descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção de sua prisão domiciliar humanitária (que o impedem de fazer manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros). Se não houve autorização, porém, Moraes indicou que caberá apurar eventual responsabilidade da campanha de Flávio e do PL pelo uso de conteúdo sintético sem consentimento. Nos bastidores da campanha, aliados do senador reconhecem que a estratégia reduz os riscos para Bolsonaro, mas pode ampliar o foco das investigações sobre a campanha presidencial.
Vídeo de IA de Bolsonaro: seis em cada dez brasileiros desconhecem o tema, diz Genial/Quaest
Flávio afirma ter estudado a legislação antes da convenção do PL e ex-presidente nega aval, em meio a questionamentos no STF








