Embora não existe substância mágica para perder peso, há aliados valiosos para a rotina física 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A creatina é uma das substâncias mais estudadas para a performance atlética — Foto: Freepik A cada novo lançamento da indústria de suplementos, milhares de pessoas depositam ali a expectativa de finalmente emagrecer. Um erro que vem se repetindo em consultórios e academias. A ciência nunca mostrou que um suplemento, sozinho, provoca o emagrecimento. É como se as pessoas dirigissem todas as suas esperanças a um produto imaginário ou a um ingrediente secreto que fossem capazes de compensar anos de sedentarismo, alimentação desorganizada e falta de constância. O emagrecimento segue as mesmas regras da fisiologia humana: déficit energético sustentado, alimentação adequada, movimento, treino, recuperação e equilíbrio metabólico. Eis que surge uma questão muito interessante: se suplemento não emagrece, por que ele pode fazer tanta diferença? A resposta muito simples: as uplementação não substitui hábitos, ela potencializa processos fisiológicos que já estão acontecendo, e isso transforma nosso olhar para o assunto. Segundo a International Society of Sports Nutrition (ISSN), suplementos alimentares devem ser utilizados quando existe uma necessidade nutricional específica ou quando a alimentação, sozinha, não consegue atender às demandas individuais. Ou seja, eles não são a base do tratamento, mas ferramentas dentro de uma estratégia muito maior. É como uma construção. Não se começa uma casa pintando as paredes, primeiro existe uma fundação a ser feita. Com o processo de emagrecimento não é diferente. O suplemento é o acabamento. Ao tentar transformar o acabamento em fundação, o resultado é frustração. As pessoas acumulam prateleiras de produtos sem enxergar resultados consistentes e verdadeiros. Seria um erro afirmar que suplemento não faz diferença. Mas ele precisa ser pensado especificamente para cada caso. O maior exemplo é a proteína, que tem um dos mais altos níveis de evidência científica dentro da nutrição esportiva. No emagrecimento, quando há restrição calórica, há também um risco natural de perda de massa muscular. Por isso a ingestão adequada de proteínas associada ao treinamento de força contribui para a preservação dessa massa magra. Outro suplemento muito estudado é a creatina, normalmente associada ao ganho exclusivo de força e hipertrofia. Hoje, sabemos que sua atuação vai para muito além, melhorando a capacidade de realizar exercícios de maior intensidade, favorecendo a manutenção de massa muscular durante o período de emagrecimento e apresentando benefícios importantes para idosos, mulheres no climatério e indivíduos em restrição energética. A própria ISSN a considera um dos suplementos com maior respaldo científico. As fibras também merecem atenção. Em uma rotina onde frutas, verduras, legumes e alimentos integrais nem sempre aparecem na quantidade ideal, suplementos de fibras podem auxiliar no aumento da saciedade, no controle glicêmico, na saúde intestinal e na melhora da resposta metabólica. E o mesmo raciocínio vale para a cafeína. Ela pode aumentar temporariamente o estado de alerta, reduzir a percepção de esforço durante o exercício e promover um discreto aumento no gasto energético. Entretanto, os efeitos são modestos e variam bastante entre indivíduos. Um pré-treino não compensa uma rotina sedentária. Suplementos abrem uma oportunidade metabólica, mas quem constrói o resultado continua sendo o comportamento. Em vez de perguntar “o que vai me fazer emagrecer?”, podemos usar uma questão mais inteligente: “O que falta para que meu organismo funcione da melhor forma possível durante esse processo?”. A mensagem que merece ficar após ler esta coluna é: ninguém emagrece por causa de um suplemento. Elas emagrecem porque constroem hábitos capazes de modificar o funcionamento do organismo ao longo do tempo.