0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Alcolumbre conversam em abril deste ano, durante evento de posse de José Guimarães como ministro — Foto: Cristiano Mariz/ O Globo Durante o encontro reservado articulado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tocaram num dos pontos mais traumáticos da conturbada relação entre o Planalto e o Congresso neste terceiro mandato do petista: a rejeição da escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga na Corte, em abril deste ano. O tom da conversa, na última terça-feira (4) na casa de Moraes no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, foi descrito por aliados de ambos como uma espécie de “lavagem de roupa suja”. Alcolumbre foi um dos principais artífices da derrota histórica do governo. Depois disso, apesar dos apelos de auxiliares, Lula se recusou a encontrar o presidente do Senado e chegou a dizer que apresentaria novamente o nome de Messias para o STF. Ao tocar no assunto, Alcolumbre não pediu desculpas nem tentou atenuar o mal estar, pelo contrário. De acordo com relatos de aliados, ele disse que foi o primeiro a alertar o Palácio do Planalto de que Messias não teria os 41 votos suficientes para confirmar a sua indicação para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado. Nas vésperas da votação, lideranças do governo no Congresso, como o senador Jaques Wagner, garantiram a Lula que Messias passaria, ainda que por um placar apertado, o que não se concretizou. “Alcolumbre acha que não cometeu nenhuma falha com o presidente Lula, porque o avisou dos riscos de rejeição de Messias”, disse ao blog uma fonte a par das discussões nos bastidores. “Eles não conversaram se o Lula vai mandar ou não vai mandar de novo a indicação de Messias. Não houve conversa sobre o futuro, mas sobre o passado.” Revelado pela colunista do GLOBO Bela Megale, o jantar não constou da agenda do presidente do Senado, nem na de Lula e muito menos na de Moraes, que não tem o hábito de informar seus compromissos. Estratégia Assim como a maioria dos seus colegas, o presidente do Senado preferia a escolha do seu antecessor no comando da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e nunca escondeu de ninguém sua contrariedade com a decisão de Lula. Em um primeiro momento, Alcolumbre quis forçar a realização da sabatina de Messias e a votação no plenário logo depois do anúncio de Lula, em dezembro do ano passado, sem dar tempo de o advogado-geral da União fazer a peregrinação pelos gabinetes dos 81 senadores, nem de angariar apoios dentro e fora da Casa para contornar a resistência ao seu nome. Lula, então, decidiu segurar o processo e adiou por quatro meses o envio da mensagem ao Senado, uma espécie de etapa burocrática necessária para o trâmite da indicação no Senado. Foi uma tentativa de dar tempo para Messias sair em busca dos votos e pavimentar o caminho da aprovação. Messias, no entanto, acabou obtendo apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que os exigidos pela Constituição para confirmar a indicação. A última vez que um presidente da República havia sido confrontado com a rejeição de uma escolha para o STF havia sido o marechal Floriano Peixoto, em 1894. Aliança Alcolumbre, como se sabe, trabalhou com empenho para implodir esse precedente. Conforme informou o blog, o presidente do Senado articulou até o último minuto a derrota histórica imposta ao governo Lula, numa articulação que mobilizou atores com interesses diversos, como a tropa de choque bolsonarista, capitaneada pelos senadores Flávio Bolsonaro (RJ) e Rogério Marinho (RN), além do próprio Moraes. “Alcolumbre ligou para vários senadores para pedir votos contra Messias”, confidenciou um interlocutor do presidente do Senado. Um dos alvos de pressão foi o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), que anunciou publicamente apoio a Messias, mas foi cobrado a enquadrar a bancada – formada por sete senadores – e entregar o menor número possível de votos “sim”. A votação de Messias serviu para a oposição dar um duro recado a Lula e tentar “abocanhar” a vaga aberta com a saída de Barroso, deixando a escolha do novo indicado para o ano que vem, caso Flávio seja eleito. A rejeição também funcionou para evitar o fortalecimento no STF do ministro André Mendonça, como ainda teme Moraes. Isso porque Mendonça, relator das investigações do caso Master, foi o principal cabo eleitoral de Messias e se tornou o maior contraponto a Moraes no Supremo, dando sinais que pretende ir a fundo nas investigações do Master. A apuração já trouxe à tona o contrato de R$ 129 milhões da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, com o banco de Daniel Vorcaro para defender o interesse do Master em órgãos como o Banco Central, a Receita Federal, o Cade e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), mas em todos eles a atuação dela é desconhecida. Apesar das mágoas e ressentimento, diante do avanço bolsonarista no Senado nestas eleições, quando ⅔ da Casa será renovada, o instinto de sobrevivência falou mais alto – e Alcolumbre, Lula e Moraes ensaiam agora uma reaproximação. Apesar de ter oferecido a sua mansão para abrigar o encontro de Lula e Alcolumbre, Moraes também saiu com o filme queimado com o Planalto depois da rejeição de Messias. Após a votação, o advogado-geral da União se recusou a atender às ligações de Moraes, que tentava insistentemente entrar em contato com ele.
A lavagem de roupa suja entre Lula e Alcolumbre na casa de Alexandre de Moraes
A lavagem de roupa suja entre Lula e Alcolumbre na casa de Alexandre de Moraes














