Em meio à tensão diplomática entre Washington e Brasília, o Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira 7, a indicação de Daniel Perez para chefiar a embaixada do país no Brasil. Ele ainda precisa da autorização do governo Lula (PT) para ocupar o cargo. No total, 51 senadores votaram a favor de indicação e 47 contra.

A demora do Itamaraty em conceder o agrément ao escolhido de Donald Trump foi utilizada como justificativa para a revogação, na última terça-feira 4, do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O agrément é um mecanismo previsto pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, tratado que disciplina as relações entre os Estados desde 1961. Antes que um país nomeie oficialmente um embaixador, ele deve consultar, de forma reservada, o governo que receberá esse representante.

O procedimento costuma ocorrer longe dos holofotes. Primeiro, o país informa discretamente o nome pretendido. Somente após a concordância do governo anfitrião a indicação é tornada pública e o processo político interno segue seu curso. A própria Convenção de Viena estabelece que o Estado receptor pode aceitar ou rejeitar o indicado sem apresentar qualquer justificativa. Também não existe prazo para responder ao pedido. Na prática, isso significa que um governo pode conceder rapidamente o consentimento, levar meses para analisá-lo ou simplesmente nunca responder.