Será a primeira vez que o dirigente máximo da associação vai ao país, em mais um sinal da mudança de eixo do Itamaraty num momento de crise com os EUA 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Membros da Asean estão entre mais afetados pela guerra comercial de Donald Trump — Foto: Mohd RASFAN / AFP O Brasil receberá em breve a primeira visita de de um secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A chegada de Kao Kim Horn está prevista para o próximo dia 17. É mais um passo na aproximação do Brasil com o bloco asiático, que tornou-se um dos principais alvos da política comercial do Itamaraty. Antes disso, desembarca neste domingo no Brasil a chanceler das Filipinas, um dos 11 países membros da Asean. A visita de Kao ao Brasil ocorre num momento em que o país busca elevar o nível de sua relação com a Asean. O Brasil é o único da América Latina com o status de parceiro de Diálogo Setorial do bloco, formalizado em 2023. É também o único entre os oito nessa categoria que tem uma representação permanente em Jacarta, onde fica a sede da Asean. Agora, o Brasil aguarda a aprovação para se tornar Parceiro de Diálogo, elevando a relação para um status mais abrangente, que a Asean mantém com China, Japão e Estados Unidos. Não é por acaso que o movimento do Itamaraty em direção à Ásia seja produzido em meio às tensões com os Estados Unidos. Com o tarifaço e outros sucessivos atritos com Washington — o mais recente a revogação do visto da embaixadora do Brasil na capital americana —, o Itamaraty intensificou os esforços para diversificar as parcerias comerciais do país. Nos últimos três anos, o país exportou para os cinco maiores mercados da Asean (Cingapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) o mesmo que para os cinco destinos tradicionais do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França). Lula foi o primeiro presidente brasileiro a participar de uma cúpula da Asean, no ano passado. Por coincidência, foi à margem daquele encontro, na Malásia, que ele se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump. O chanceler Mauro Vieira deu prosseguimento ao esforço de aproximação com o bloco asiático ao participar da reunião de chanceleres da Asean no mês passado, nas Filipinas. A expectativa é que a visita de Kao Kim Horn a Brasília seja mais um sinal de que o Brasil está prestes a atingir o novo status no bloco. Fundada em 1967, a Asean tem acumulado crescente peso no cenário global, com uma população de quase 700 milhões de pessoas e PIB total de mais de US$ 3,6 trilhões (equivalente à quinta economia do mundo) somando seus membros: Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos, Camboja e Timor Leste. O Brasil segue uma tendência global. Com o crescimento da região, aumentou o interesse em reforçar os laços com a Asean, incluindo das maiores potências econômicas, EUA, China e União Europeia. “O eixo Brasil-Asean”, esse é o título de um artigo publicado no fim do ano passado pela diplomata Eugênia Barthelmess, ex-embaixadora do país em Cingapura, em que ela descreve a transição econômica do planeta que justifica a aproximação com a Ásia. “Em cenário de rápidas transformações geoeconômicas e de instabilidade geoestratégica global aguda, caracterizado pela imprevisibilidade da atuação política e comercial dos Estados Unidos em relação a parceiros tradicionais e aliados históricos — e em meio à aparente apatia das lideranças europeias —, e inegável o interesse para o Brasil na reafirmação da importância estratégica do Sudeste da Ásia”.