Por Clarissa Palácio
Durante décadas, a moda fitness vendeu muito mais do que roupas para treinar. Compressão, efeito modelador e promessas de uma silhueta “perfeita” ajudaram a transformar leggings, tops e shorts em símbolos de um ideal de corpo que parecia inseparável da prática esportiva. Agora, esse discurso começa a mudar. Em vez de adaptar o corpo à roupa, parte da indústria aposta em desenvolver tecnologias capazes de fazer o caminho inverso: criar tecidos e modelagens que acompanhem diferentes biotipos, movimentos e rotinas.
A mudança acontece em um momento de contradição. Ao mesmo tempo em que a cultura da magreza extrema volta a ganhar espaço nas redes sociais, impulsionada por tendências estéticas e pelo uso crescente de medicamentos para emagrecimento, cresce também a demanda por roupas que priorizem conforto, liberdade de movimento e bem-estar. Segundo a médica nutróloga Ingrid Ribeiro, em entrevista à Radio Mix de Maceió, mais de 20% dos jovens brasileiros apresentam sinais de transtornos alimentares, reflexo de uma pressão estética que continua influenciando a relação das pessoas com o próprio corpo.
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