Piloto e herdeiro do grupo fundado pelo pai, empresário acumulou funções de gestor e comandante e é apontado como peça central no desastre do voo 2283 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass — Foto: Reprodução/ Polícia Federal José Luiz Felício Filho, presidente e acionista majoritário da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por atentado contra a segurança de transporte aéreo, incluindo a modalidade culposa com resultado de desastre agravado por morte. Segundo a corporação, ele integra o grupo de 16 pessoas apontadas como responsáveis, por ação ou negligência, pelo acidente do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A investigação da PF aponta que Felício Filho tinha pleno conhecimento da inoperância crônica dos sistemas da companhia e da cultura organizacional de risco vigente na empresa. Ele próprio, segundo os investigadores, era o usuário externo cadastrado que recebia e assinava notificações e auditorias da Agência Nacional de Aviação (Anac) com graves não conformidades técnicas. A PF também o identificou como integrante de um grupo de WhatsApp da gerência operacional em que se estimulava a prática de omitir panes de degelo e adiar registros no diário de bordo. Piloto por formação e ex-comandante de aeronaves ATR, Felício Filho é descrito pelos investigadores como o principal garantidor jurídico da segurança aérea da companhia — e, ao mesmo tempo, como a figura que teria estruturado um cenário em que a segurança foi preterida em nome da continuidade dos lucros da empresa. Filho do fundador da então Passaredo, José Luiz Felício, ele acompanhou o pai desde jovem na estruturação da frota original de bimotores Embraer EMB 120 Brasília, quando a companhia nasceu em 1995 a partir de uma transportadora rodoviária fundada em Mococa (SP). Felício Filho assumiu a presidência da empresa em 2002, acumulando as funções de gestor e tripulante técnico — o que lhe dava, segundo relatos, uma visão direta e uma responsabilidade ampliada sobre as condições de voo das aeronaves. Sua gestão foi marcada por ciclos de expansão seguidos de crises financeiras: liderou a empresa durante uma recuperação judicial entre 2012 e 2017, com dívidas então estimadas em R$ 150 milhões, e comandou em 2019 a compra da MAP Linhas Aéreas, movimento que deu origem à marca Voepass. Depois do acidente de Vinhedo, centralizou ainda mais a liderança executiva, demitindo diretores de manutenção e segurança operacional, enquanto ex-funcionários denunciavam publicamente uma cultura interna que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento de alertas técnicos. A empresa, que chegou a ser a quarta maior do país em número de passageiros, teve o Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac em 2025 após constatação de descumprimentos sistemáticos de protocolos de segurança, e acumula hoje dívidas superiores a R$ 400 milhões. Neto de imigrantes libaneses, Felício Filho é casado e pai de três filhos. Em 2020, passou 21 dias internado em UTI, chegando a ser entubado, devido a complicações da Covid-19. Em 2023, viveu a morte do pai, fundador do grupo — um abalo que, segundo pessoas próximas, marcou um novo ciclo de decisões dentro da companhia que hoje é investigada por um dos piores acidentes aéreos da aviação civil brasileira recente.
José Luiz Felício Filho: quem é o dono da Voepass indiciado pela PF por acidente aéreo com 62 mortos
Piloto e herdeiro do grupo fundado pelo pai, empresário acumulou funções de gestor e comandante e é apontado como peça central no desastre do voo 2283











