Estátua de traficante de escravos derrubada e resgatada de rio é atração de museu e segue a lógica de preservação dos fatos, realidade distante do padrão oficial de Londres e Portugal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estátua do traficante de escravos Edward Colston no museu M Shed em Bristol — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo Bristol, na Inglaterra, resgatou a história do fundo do rio Avon. Ao recuperar a estátua derrubada do traficante de escravos Edward Colston, a cidade evitou o apagamento de um movimento. “É um movimento, não um momento” foi um dos lemas dos manifestantes que puseram abaixo a imagem de Colston na esteira dos protestos pela morte do norte-americano George Floyd, em 2020. Gaivota ocupa o pedestal vazio da estátua de Edward Colston em Bristol — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo Colston permanece na horizontal e perdeu o destaque que tinha no pedestal da praça The Centre, concorrido espaço público. A imagem do suporte vazio virou obra de Banksy, artista de rua e ativista de Bristol. Obra de Banksy na camisa que esgotou rapidamente — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo A estátua foi instalada em uma redoma no museu gratuito e de gestão pública M Shed atrás dos cartazes de protestos empunhados pelos manifestantes, que poderiam desaparecer, mas foram preservados. O local, situado no porto de Bristol, onde chegavam navios com pessoas escravizadas, atrai turistas, estudantes e a população local em busca de mais conhecimento. — Eu moro perto de Bristol, mas confesso que não sabia de nada até agora — disse uma inglesa ao conhecer a história da derrubada da estátua. Cartazes usados pelos manifestantes no dia da derrubada da estátua — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo As cidades deixavam o confinamento imposto pela pandemia de Covid-19 e as pessoas ainda usavam máscaras quando Floyd, um cidadão negro, foi sufocado e morto por um policial branco nos EUA. Protestos eclodiram no mundo inteiro e um dos mais veementes aconteceu em Bristol, onde os manifestantes derrubaram, picharam, arrastaram pelas ruas e jogaram a estátua no rio. Colston (1636-1721) foi um oficial da Companhia Africana Real que desempenhou papel de protagonista no estabelecimento do tráfico transatlântico de pessoas negras escravizadas. Parte da fortuna dele veio do comércio de açúcar e mercadorias produzidas pela mão de obra escrava. Participou no tráfico de 84 mil pessoas, sendo que 19 mil morreram nas viagens forçadas a partir da África e do Caribe. — Escravos eram pessoas que trabalhavam à força, privadas de liberdade e de direitos — explicava um homem para duas crianças, que observavam o rosto pichado da estátua do traficante. A disposição da estátua na ala do museu que trata dos habitantes de Bristol e sua história, como o boicote de 1963 aos ônibus devido ao racismo, acompanha uma lógica de preservação dos fatos. Obra em uma praça de Bristol em memória das pessoas escravizadas — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo Na Catedral, no Museu de Bristol e em obras nas ruas há placas ou exposições informando dados sobre a participação forçada das pessoas escravizadas no desenvolvimento da cidade. Exposição no interior da Catedral de Bristol: traficantes de escravos enterrados no local — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo Também acontece em Haia, na Holanda, na casa de Maurício de Nassau, responsável por traficar para o Brasil 24 mil africanos escravizados. Realidade longe de ser padrão oficial em Londres ou em Portugal. informação na casa de Maurício de Nassau em Haia: responsável por 24 mil pessoas escravizadas no Brasil — Foto: Gian Amato/Portugal Giro/O Globo