O peso colombiano continua a ser a moeda com melhor desempenho entre os mercados emergentes. Os investidores ignoram os esforços do banco central do país para desacelerar a valorização da divisa e mantêm o foco na atratividade do carry trade. Os formuladores de política monetária surpreenderam os mercados na sexta-feira da semana passada, após o fechamento, ao interromper uma sequência de altas de juros e anunciar um programa para acumular até US$ 4 bilhões em reservas internacionais. Os anúncios surtiram efeito inicialmente, levando o peso à maior queda diária desde maio na segunda-feira. Mas a desvalorização perdeu força rapidamente, e a moeda recuperou quase todas essas perdas até quinta-feira. A recuperação evidencia como ficou difícil para as autoridades conter uma das operações de carry trade mais populares deste ano. Os retornos com o peso se aproximam de 20% em 2026, tornando-o a moeda de melhor desempenho do mundo, à medida que investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento para aplicar em ativos com retorno mais elevado. — O carry continua sendo o principal fator — afirmou Jose Prieto Jaramillo, responsável pela área de negócios do BTG Pactual em Bogotá. Mesmo depois de o banco central manter os juros na semana passada, “o mercado continua esperando um IPCA elevado e, com isso, uma trajetória de alta para o banco central. É isso que dá sustentação à moeda”. O peso avançou 0,3% ontem, elevando para 2,1% a valorização acumulada em três dias, após a queda de 2,4% registrada na segunda-feira. A moeda sobe 19% no ano, quase o triplo do ganho registrado por qualquer uma de suas pares. A melhora do cenário político nos últimos meses também favoreceu o peso. O presidente eleito Abelardo de la Espriella, que toma posse hoje, prometeu controlar o crescente déficit fiscal da Colômbia e reduzir o aumento da dívida pública, incentivando investidores a apostar em ativos locais, incluindo a moeda. Intervenção As medidas mais recentes do banco central mostram o crescente desconforto das autoridades com a força do peso. A ata da reunião da semana passada mostrou que os diretores estão preocupados com o fato de novas altas de juros ampliarem o diferencial de taxas, impulsionando o carry trade e fortalecendo ainda mais a moeda. Ainda assim, o banco central manteve aberta a possibilidade de novos apertos monetários e alertou que um episódio severo do fenômeno climático El Niño pode aumentar as pressões inflacionárias. No relatório trimestral de política monetária publicado na terça-feira, a instituição elevou a projeção de inflação para 2026 de 6,4% para 6,9%. — O texto continua muito cauteloso e com viés duro para mim — afirmou Ning Sun, estrategista sênior para mercados emergentes da State Street, em Boston. — Não acho que a reunião da semana passada represente uma mudança para uma postura mais branda. O banco central reforçará as reservas internacionais por meio de leilões mensais de opções de venda, estratégia iniciada nesta semana com a oferta para comprar US$ 400 milhões. O mercado absorveu rapidamente esse volume, evidenciando a limitada resistência da iniciativa ao avanço da moeda. Os efeitos tendem a aparecer ao longo do tempo, depois que o banco central acumular um volume mais significativo de reservas, disse Prieto. Até lá, o peso continua sendo uma das poucas moedas de alto rendimento que oferecem, ao mesmo tempo, um carry atrativo e um cenário macroeconômico favorável. — O real brasileiro está perdendo o brilho como moeda de carry trade da região — afirmou Sun. — Com o aumento dos riscos políticos, os investidores que buscam carry precisam encontrar outro candidato para substituir as posições compradas em real.
Ninguém segura o peso colombiano, nem o banco central da Colômbia. Entenda por que a moeda disparou
Moeda continua sendo a de melhor desempenho entre os mercados emergentes










