Estrategista cita aumento dos riscos políticos no Brasil, enquanto na Colômbia houve melhora neste quesito, entre outros fatores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Peso colombiano — Foto: Carlos Andrés Ruiz Palacio/Pixabay O peso colombiano continua a ser a moeda com melhor desempenho entre os mercados emergentes. Os investidores ignoram os esforços do banco central do país para desacelerar a valorização da divisa e mantêm o foco na atratividade do "carry trade". “O real brasileiro está perdendo o brilho como moeda de 'carry trade da região”, afirmou Ning Sun, estrategista sênior para mercados emergentes da State Street, em Boston. “Com o aumento dos riscos políticos, os investidores que buscam 'carry' precisam encontrar outro candidato para substituir as posições compradas em real.” Os formuladores da política monetária colombiana surpreenderam os mercados na sexta-feira, após o fechamento, ao interromper uma sequência de altas de juros e anunciar um programa para acumular até US$ 4 bilhões em reservas internacionais. Os anúncios surtiram efeito inicialmente, levando o peso à maior queda diária desde maio na segunda-feira. Mas a desvalorização perdeu força rapidamente, e a moeda recuperou quase todas essas perdas até quinta-feira. A recuperação evidencia como ficou difícil para as autoridades conter uma das operações de "carry trade" mais populares deste ano. Os retornos com o peso se aproximam de 20% em 2026, tornando-o a moeda de melhor desempenho do mundo, à medida que, com o "carry trade", investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento para aplicar em ativos com retorno mais elevado. “O carry continua sendo o principal fator”, afirmou Jose Prieto Jaramillo, responsável pela área de negócios do BTG Pactual em Bogotá. Mesmo depois de o banco central manter os juros na semana passada, “o mercado continua esperando índice de inflação elevado e, com isso, uma trajetória de alta para o banco central. É isso que dá sustentação à moeda”. O peso avançava 0,3% nesta quinta-feira, elevando para 2,1% a valorização acumulada em três dias, após a queda de 2,4% registrada na segunda-feira. A moeda sobe 19% no ano, quase o triplo do ganho registrado por qualquer uma de suas pares. A melhora do cenário político nos últimos meses também favoreceu o peso. O presidente eleito Abelardo de la Espriella, que toma posse nesta sexta-feira (7), prometeu controlar o crescente déficit fiscal da Colômbia e reduzir o aumento da dívida pública, incentivando investidores a apostar em ativos locais, incluindo a moeda. Intervenção As medidas mais recentes do banco central mostram o crescente desconforto das autoridades com a força do peso. A ata da reunião da semana passada mostrou que os diretores estão preocupados com o fato de novas altas de juros ampliarem o diferencial de taxas, impulsionando o "carry trade" e fortalecendo ainda mais a moeda. Ainda assim, o banco central manteve aberta a possibilidade de novos apertos monetários e alertou que um episódio severo do fenômeno climático El Niño pode aumentar as pressões inflacionárias. No relatório trimestral de política monetária publicado na terça-feira, a instituição elevou a projeção de inflação para 2026 de 6,4% para 6,9%. “O texto continua muito cauteloso e com viés duro para mim”, afirmou Sun. “Não acho que a reunião da semana passada represente uma mudança para uma postura mais branda.” O banco central reforçará as reservas internacionais por meio de leilões mensais de opções de venda, estratégia iniciada nesta semana com a oferta para comprar US$ 400 milhões. O mercado absorveu rapidamente esse volume, evidenciando a limitada resistência da iniciativa ao avanço da moeda. Os efeitos tendem a aparecer ao longo do tempo, depois que o banco central acumular um volume mais significativo de reservas, disse Prieto. Até lá, o peso continua sendo uma das poucas moedas de alto rendimento que oferecem, ao mesmo tempo, um "carry" atrativo e um cenário macroeconômico favorável.