0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O novo diretor financeiro (CFO) do Nubank, Rob Livingston, que assumiu o cargo em julho, afirmou que a instituição não pretende piorar seu índice de eficiência em mais de 100 pontos-base com a nova operação nos Estados Unidos (EUA). O Nubank recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês) para estabelecer um banco nacional nos EUA em janeiro deste ano. À época, o Nubank informou que a expectativa para iniciar a operação era de até 18 meses — ou seja, até julho do ano que vem. “O que dissemos publicamente é que não vamos investir mais do que 100 pontos-base do nosso índice de eficiência na entrada no mercado dos EUA nos próximos dois anos, e isso, enquanto estabelecemos nossa marca, garantimos o encaixe produto-mercado, e também entendemos de verdade a análise de crédito que vamos precisar para ter sucesso no mercado”, afirmou o executivo em vídeo publicado no site do Nubank, no qual conversa com o CEO global da instituição, David Vélez. O índice de eficiência — quanto menor, melhor — do Nubank ficou em 17,6% no primeiro trimestre de 2026. A instituição reporta seus resultados do segundo trimestre na próxima quinta-feira (13). Para Livingston, há oportunidades no mercado americano para uma instituição “eficiente como o Nu entrar com ótimos produtos, ótimos serviços”. Segundo ele, como o país é grande, o Nubank não precisa conquistar “uma fatia enorme” do mercado para que a operação seja relevante. “Cinco milhões, 10 milhões de clientes nos EUA são tão grandes quanto outro país para o Nu, e ficaríamos muito, muito animados em fazer a diferença em suas vidas financeiras”, afirmou. “Os próximos anos nos EUA serão puramente fundacionais em que estamos fazendo uma aposta delimitada nessa ideia de que pode haver um ‘upside’ tremendo para nós.” Apesar dos benefícios que a operação nos EUA pode trazer para a instituição, segundo os executivos, o “roadmap” do Nubank para os próximos anos é aprofundar as relações com clientes no Brasil. Eles avaliam que ainda há oportunidade de entrar em novos segmentos. “Temos mais de 110 milhões de clientes no Brasil, mas só 7% de participação [de mercado]. Então poderíamos dobrar ou triplicar o tamanho do Nubank só no Brasil”, afirmou Vélez. Outra avenida de crescimento é o México, onde o banco obteve em julho uma autorização de operação da Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV) para iniciar suas operações como banco múltiplo. “Pode ser tão grande quanto o Brasil. Embora a população seja menor do que a do Brasil, o PIB per capita é maior, e, quando olhamos para a trajetória geral de possibilidade financeira, oferece tanto para nós quanto o Brasil”, Livingston. Questionado por Vélez sobre não ser brasileiro e não ter trabalhado no Brasil e como espera lidar com os ciclos de crédito do país, Livingston afirmou que o Nubank é uma instituição resiliente. “Se houver um [novo] ciclo vindo no Brasil no próximo ano ou nos próximos dois, estaremos bem preparados.” Livingston é americano, enquanto Vélez é colombiano. O CFO também falou sobre a dinâmica na economia brasileira. “Fiquei realmente surpreso ao descobrir que, nos últimos 12 anos, passamos por quatro ciclos de crédito aqui no Brasil, incluindo a recessão mais profunda de que se tem memória. E o Nubank passou por todos eles com esse modelo de crédito intacto”, afirmou. “Enquanto os EUA vivem um ciclo, nós vemos vários ciclos no Brasil. E, por isso, empresas de serviços financeiros e bancos precisam ser antifrágeis”, complementou Vélez. Rob Livingston, CFO do Nubank — Foto: Reprodução/LinkedIn