A Justiça do Rio de Janeiro decidiu que os filhos de João Gilberto não podem retirar, antes da divisão oficial da herança, os valores recebidos após a morte do artista referentes a direitos autorais e conexos. As quantias deverão permanecer depositadas em uma conta judicial até que o inventário seja concluído e seja definido quanto cabe a cada herdeiro.

A decisão considerou que ainda há dúvidas sobre a herança, incluindo o número de herdeiros, a validade de eventual testamento, a existência de dívidas e a divisão do patrimônio. Segundo a decisão, a morte do autor transfere os direitos aos sucessores, mas não permite que cada um retire valores individualmente antes da partilha.

O tribunal entendeu que a falta de consenso entre os envolvidos e a necessidade de definir o acervo total da herança impedem a liberação antecipada dos recursos.

Desde que ele morreu, em 2019, aos 88 anos, seus três filhos —João Marcelo, do casamento com Astrud Gilberto, Bebel, do casamento com Miúcha, e a caçula Luísa Carolina, do relacionamento com Claudia Faissol—brigavam entre si e também com Maria do Céu Harris, que diz ter vivido em união estável com João Gilberto por 35 anos, de 1984 a 2019.

Em 2023, a cantora Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, fez um acordo na Justiça no qual reconheceu a "ininterrupta união estável entre seu falecido pai" e a moçambicana Maria do Céu.