Segundo Zema, a proposta é baseada nas medidas adotadas durante a gestão dele no governo de Minas Gerais. "Primeiro, eu quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Em Minas Gerais, nós privatizamos 118 empresas. Vamos fazer uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária e vamos melhorar os programas sociais", afirmou. A entrevista de g1 e a GloboNews é conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro, e tem duração aproximada de uma hora e meia. Após a exibição, o conteúdo completo ficará disponível em vídeo no g1 e em áudio no podcast O Assunto. Choque fiscal e privatizações Romeu Zema afirmou que, se eleito presidente, vai promover no Brasil um "choque" na área fiscal e vai "privatizar tudo, a começar pela Petrobras". "Primeiro, eu quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Em Minas Gerais, nós privatizamos 118 empresas", afirmou. Entretanto, o ex-governador de Minas Gerais foi questionado por não ter cumprido sua principal promessa de campanha: a privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Zema respondeu que a venda está em processo e que não foi concluída porque não tinha alianças políticas suficientes no primeiro mandato para concretizar a venda. "Agora, sendo eleito presidente do Brasil, eu vou assumir com capital político", disse. "Para mim, foi uma curva de aprendizado. Eu vou chegar em Brasília muito mais bem preparado". Como parte da proposta para o governo federal, o governador defendeu um enxugamento da estrutura da administração pública, começando pela redução de ministérios. O candidato afirmou ainda que pretende implementar quatro medidas na área fiscal. Segundo Zema, o conjunto dessas medidas traria uma economia de cerca de R$ 1 trilhão ao longo dos próximos 20 anos. Zema também afirmou que esse cenário seria bem recebido pelo mercado e contribuiria para uma redução da taxa de juros, que, segundo ele, poderia cair para menos da metade do patamar atual. Economia de Minas Gerais Questionado sobre encerrar a gestão em Minas Gerais com um caixa negativo de R$ 11 bilhões, segundo dados do Tesouro, Zema afirmou que recebeu o estado em situação de “massa falida” e que os compromissos do estado estão atualmente em dia. “Eu assumi um estado que era uma verdadeira massa falida. Eram 240 mil servidores públicos com o nome sujo no SPC e no Serasa, porque o governo do Pimentel, do PT, descontou desses servidores o empréstimo consignado e não fez os repasses aos bancos”, afirmou. Zema também citou atrasos nos repasses de ICMS e IPVA aos municípios e dificuldades no pagamento de fornecedores. “Hoje, todos esses compromissos estão rigorosamente em dia, e a dívida que o Estado tem hoje é com a União.” Reforma no Judiciário e STF Questionado se suas propostas para o Supremo poderiam provocar uma crise institucional caso seja eleito, Zema negou essa possibilidade e defendeu mudanças no Judiciário. “Eleito presidente, eu quero uma reforma profunda no Judiciário”, afirmou. Zema também propôs a adoção de uma lista tríplice para a escolha dos ministros do STF, elaborada com a participação de diferentes instituições. “Eu gostaria muito que nós já fizéssemos essa mudança, que a OAB, o Superior Tribunal de Justiça, o Ministério Público Federal e o Senado colaborassem na elaboração dessa lista [para o STF].” O candidato disse que a intenção dele com essa proposta é tirar do presidente da República o poder de indicar ministros do Supremo. "Eu quero é tirar do presidente esse poder que dá a ele, se quiser, até nomear o irmão e o filho. O que eu acho que é um absurdo." Questionado sobre propostas para retirar do STF competências em matérias criminais e tributárias, Zema negou que pretendesse interferir no Judiciário. “É competência do Judiciário fazer as mudanças no Judiciário, mas eu quero contribuir com essa mudança. Nós vamos construir isso a quatro mãos. Eu não vou chegar lá e falar: ‘Faça a mudança’.” IA para reduzir número de juízes Romeu Zema defendeu o uso da inteligência artificial (IA) para aumentar a produtividade do Judiciário e, com isso, reduzir gradualmente o número de juízes. Segundo Zema, a tecnologia pode assumir parte das atividades hoje desempenhadas pelos magistrados. "Tem muita coisa que um juiz faz hoje que a inteligência artificial pode assessorá-lo e ele ficar muito mais produtivo. Em vez de ter 10 mil juízes, você pode, ao longo do tempo, reduzir para 8 mil, depois para 6 mil, porque eles vão ficar mais produtivos", afirmou. Adversários nesta eleição Zema foi questionado sobre o candidato do Missão a presidente, Renan Santos, aparecer à frente dele nas pesquisas de intenção de voto. O candidato do Novo afirmou que o adversário tem um discurso direcionado aos jovens, mas avaliou que a candidatura de Renan possui alcance limitado. “O candidato Renan, pelo que eu acompanho, tem um discurso para os jovens. É algo que tem um nicho e que, na minha opinião, tem um teto baixo também. É aquele nicho e vai ser aquilo”, disse. Romeu Zema ainda comparou a eleição de 2026 à de 2018. “Em 2018, foi a eleição da antipolítica. Neste ano, parece que teremos a eleição antissistema, da indignação com tudo isso que está acontecendo.” O candidato comparou as eleições ao ato de ir a um restaurante, para dizer que os eleitores ainda têm tempo para tomar uma decisão. "Você só abre o cardápio e olha para ele na hora que chega. Desconheço alguém que pede o cardápio com um ou dois meses de antecedência para ficar olhando a comida.” Eduardo Girão como vice Questionado sobre a demora para anunciar o senador Eduardo Girão, do mesmo partido, como candidato a vice-presidente, Zema afirmou que a chapa pura foi uma escolha, e não consequência da dificuldade para formar alianças. “Todo mundo espera até o último dia. Nós optamos por uma chapa pura. Não foi o que sobrou, foi opção. Há um mês eu tenho falado que nós estávamos considerando as opções internas e também externas”, declarou. Ao explicar o que Girão acrescenta à candidatura, Zema destacou a origem e a atuação política do senador. “Ele é de outro estado, é de outra região. Ele tem um histórico de senador que bate muito com essa questão dos intocáveis. É um dos que mais criticam essas aberrações lá de Brasília.” Zema também afirmou que procurava um vice sem vínculos que limitassem suas críticas. “Eu sempre falei: quero ter ao meu lado alguém que possa criticar sem ter o que temer. Não tem filho envolvido em nada, é ficha limpa. É isso que eu quero: liberdade para mostrar essas aberrações que estão acontecendo.” Entrevistas com outros presidenciáveis Um sorteio realizado no dia 27 de julho, com a participação de representantes das campanhas, definiu a seguinte ordem: terça-feira (4): Lula (PT) – a assessoria do presidente informou que ele não compareceria.quarta-feira (5): Renan Santos (Missão) – participou nesta quarta (5). quinta-feira (6): Romeu Zema (Novo) – confirmou presença.sexta-feira (7): Ronaldo Caiado (PSD) – confirmou presença.segunda-feira (10): Flávio Bolsonaro (PL) – ainda não confirmou presença. O 1º turno das eleições ocorre no dia 4 de outubro. Agora no g1 Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos — Foto: Ricardo Stuckert, Raul Spinassé, Cristiano Borges, Karoline Barreto e Reprodução