O processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi está sendo julgado nesta quinta-feira (6) pelo plenário do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Acusado de assédio e importunação sexual por duas mulheres, o magistrado está afastado das funções na corte desde fevereiro e pode perder o cargo. Ele nega todas as suspeitas.

Um dos episódios teria ocorrido em janeiro, em Balneário Camboriú (SC), contra a filha de um casal de amigos de Buzzi —a família estava hospedada na casa do ministro. A jovem de 18 anos narrou que o homem, que tem 68 anos, a agarrou e tocou em suas nádegas enquanto ela tomava um banho de mar.

A defesa pede ao STJ a absolvição do magistrado. Um dos argumentos é o de que Buzzi teria disfunção erétil e mobilidade física reduzida, condições que, para os advogados, o impediriam de praticar os atos. Em depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça, ao qual a coluna Mônica Bergamo teve acesso, a jovem afirma que não sabia se Buzzi estava excitado ou não, devido às camadas de roupa entre os dois.

O MPF (Ministério Público Federal), por outro lado, afirma que o laudo urológico apresentado pela defesa indica uma disfunção moderada e não apontou impossibilidade da prática de assédio sexual. O órgão pede a responsabilização de Buzzi e considera que, segundo as provas colhidas, o ministro feriu preceitos de integridade pessoal e profissional, além de honra e decoro, todos obrigatórios para a magistratura.