Impacto abriu cratera de 18 metros e poderá ajudar cientistas a investigar a presença de gelo sob a superfície lunar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um propulsor reutilizável de foguete Falcon 9 da SpaceX em exposição do lado de fora das instalações da empresa em Hawthorne, Califórnia — Foto: Ethan Swope/Bloomberg O segundo estágio de um foguete Falcon 9, da SpaceX, atingiu a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira em uma colisão que liberou energia equivalente à explosão de 2,8 toneladas de TNT. Apesar da força do impacto, a Nasa afirma que o evento não representa qualquer risco para a Terra e servirá como uma oportunidade inédita para estudar a composição do solo lunar. A estrutura, de cerca de 14 metros de comprimento, quatro metros de largura e aproximadamente quatro toneladas, colidiu com a Lua a cerca de 8.700 km/h, na região entre as crateras Einstein e Bell. Segundo estimativas da agência espacial americana, o choque abriu uma cratera de aproximadamente 18 metros de diâmetro e 3,5 metros de profundidade, além de lançar poeira e fragmentos de rochas para o espaço. Embora o número impressione, a energia liberada é relativamente pequena quando comparada a grandes explosões conhecidas na Terra. O impacto foi semelhante à detonação de 2.800 quilos de TNT, potência suficiente para destruir um quarteirão urbano, mas muito inferior à de armas nucleares ou de grandes erupções vulcânicas. Mesmo assim, a Nasa ressalta que colisões dessa magnitude são comuns na Lua. Segundo a agência, um meteoroide com energia semelhante atinge a superfície lunar, em média, a cada seis dias. A diferença é que, desta vez, os cientistas conheciam previamente a massa, a velocidade, a trajetória e o local exato do impacto, tornando o episódio um experimento científico praticamente controlado. O estágio do Falcon 9 permanecia em órbita desde janeiro de 2025, quando lançou dois módulos de pouso rumo à Lua. A missão teve sucesso parcial: o módulo Blue Ghost-1, da Firefly Aerospace, pousou normalmente, enquanto o japonês Hakuto-R, da iSpace, caiu durante a tentativa de alunissagem. Segundo a Nasa, a trajetória que levou o foguete até a Lua foi resultado da combinação entre a atividade solar e as forças gravitacionais. A SpaceX informou que realizou o descarte do estágio conforme os procedimentos previstos após o lançamento. O impacto não pôde ser observado da Terra porque ocorreu no lado iluminado da Lua. Ainda assim, o satélite Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) registrará imagens da área antes e depois da colisão. Os primeiros resultados devem ser divulgados nas próximas semanas. Além de analisar a cratera formada, os pesquisadores esperam que a nuvem de poeira levantada pela explosão revele detalhes sobre a composição do subsolo lunar. Uma das principais expectativas é identificar sinais de gelo de água oculto abaixo da superfície, informação considerada estratégica para futuras missões tripuladas e para os projetos de instalação de bases permanentes na Lua.