Donald Trump e seus assessores disseram mais de uma dúzia de vezes nos últimos cinco meses que os Estados Unidos estão perto de chegar a um acordo com Teerã. Mas, se algum pacto resultar das negociações entre Irã e Omã, ficará muito aquém dos objetivos estabelecidos pelo presidente americano quando iniciou a guerra.

Desde que atacou o Irã, em fevereiro, as exigências de Trump encolheram de uma extensa lista de concessões envolvendo as ambições nucleares de Teerã, a produção de mísseis balísticos e o apoio a milícias aliadas para apenas uma: que o Irã permita que o estreito de Hormuz volte à situação anterior ao conflito.

"A desnuclearização do Irã é o acordo definitivo", disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a jornalistas na terça-feira (4). "O acordo imediato, aquele em que se tem concentrado muita atenção, é o estreito."

Por si só, isso representaria algo próximo de uma humilhação estratégica, segundo os críticos. O Irã só passou a explorar sua vantagem estratégica sobre o estreito depois que Trump iniciou a guerra.

Agora, qualquer entendimento poderia dar a Teerã controle sobre parte do estreito, sem lhe retirar o poder de, no futuro, cobrar taxas das embarcações que a utilizam —condições que pareceriam impensáveis aos estrategistas americanos apenas um ano atrás.