0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A inteligência artificial (IA) será o principal desafio dos países emergentes nos próximos anos e eles se diferenciarão entre os que dominam ou não a tecnologia. A avaliação é do ex-ministro da Fazenda e diretor de estratégia econômica e relações com mercados do banco Safra, Joaquim Levy, durante o 1º Fórum Econômico RIW FGV, realizado nesta quarta-feira no Rio Innovation Week, no Rio. “Para os países emergentes, há um aumento da distância entre quem tem e quem não tem inteligência artificial. Esse vai ser o principal desafio das economias emergentes nos próximos anos”, afirmou, ao destacar o atual cenário de rápidas transformações tecnológicas e maior incerteza global. Segundo o ex-ministro, especialistas estimam que o mundo esteja a cerca de dois anos de um novo salto da inteligência artificial. Neste ambiente, os países com maior potencial de crescimento econômico são aqueles que encontram oportunidades em alguma parte dessa indústria, seja no desenvolvimento de chips e hardware ou de grandes modelos de inteligência artificial. O cenário exige que o Brasil se posicione neste mercado. “Temos que descobrir como navegar quando somos um país que não tem muito conhecimento em chips ou hardware nem capacidade para desenvolver grandes modelos. É preciso pensar como podemos navegar nessa onda”, disse. Um dos caminhos para isso é a exploração de minerais estratégicos, mas cuja legislação no país precisa avançar. A diretora de Macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, reforçou a avaliação ao afirmar que a inteligência artificial representa uma mudança estrutural de longo prazo, capaz de transformar a forma de produção e o mercado de trabalho. Segundo ela, a tecnologia aumenta a incerteza em um ambiente global já marcado por disputas geopolíticas. “Estamos vivendo uma mudança que promete trazer transformações significativas na atuação das empresas. Isso adiciona ainda mais incerteza ao cenário”, afirmou. Na análise de Levy, o cenário internacional segue marcado por três fatores principais: a inflação ainda persistente nos Estados Unidos, as mudanças na política econômica americana, como tarifas comerciais e a alta do petróleo, e o elevado déficit fiscal do país. Srour também chamou atenção para o impacto do cenário externo sobre os mercados. Segundo ela, a combinação entre déficits fiscais elevados, tensões geopolíticas e as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), continuará influenciando o dólar, os fluxos de capital e as condições financeiras globais. A economista afirmou que o Brasil precisa acompanhar essas transformações, já que sua concorrência é cada vez mais global. Levy acrescentou que, embora a transição energética represente uma oportunidade para o Brasil, o desafio dos próximos cinco a dez anos será incorporar tecnologias ligadas à inteligência artificial, automação e robótica para elevar a produtividade e evitar perda de competitividade diante das mudanças na economia mundial. — Foto: Freepik
Emergentes serão diferenciados por dominar ou não a IA, afirma ex-ministro
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