Empresário defende mudança de visão sobre a economia criativa para que o setor passe a ocupar espaço na agenda de desenvolvimento do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'A maior riqueza natural que o Brasil tem é a arte e a cultura do seu povo', afirma Calainho — Foto: Ana Paula Paiva/Valor O Brasil ainda desperdiça sua principal vantagem competitiva ao não tratar arte e cultura como uma estratégia de desenvolvimento econômico. A avaliação é do empresário Luiz Calainho, fundador e CEO da L21 Corp, empresa brasileira com investimentos em arte, cultura, mídia e entretenimento, que defende uma mudança de visão sobre a economia criativa para que o setor deixe de ser visto apenas como política cultural e passe a ocupar espaço na agenda de desenvolvimento do país. “A maior riqueza natural que o Brasil tem é a arte e a cultura do seu povo. A gente fica preso às coisas tangíveis, como terra, água e recursos naturais, mas nossa criatividade é um recurso inesgotável”, afirmou ao Valor durante o Rio Innovation Week, que começou nesta terça-feira (4) na região portuária do Rio. O argumento parte do peso crescente da economia criativa na atividade. Segundo dados citados por Calainho, levantamento do Observatório Itaú Cultural mostra que a participação da cultura chegou a 3,11% do PIB brasileiro, enquanto dados do governo federal apontam que o segmento movimenta aproximadamente R$ 230 bilhões por ano, reúne mais de 130 mil empresas formalizadas e emprega 7,8 milhões de pessoas. Apesar da dimensão econômica, Calainho afirma que ainda existe resistência em reconhecer a cultura como uma indústria: “O primeiro passo é entender o tamanho desse negócio. Depois, perceber que arte e cultura também são um negócio. A criação artística é soberana, mas ela precisa de capacidade econômica para florescer.” Na avaliação do empresário, essa transformação depende de quatro pilares: reconhecer a relevância da economia criativa, ampliar a participação da iniciativa privada, criar políticas públicas voltadas ao empreendedorismo cultural e superar o preconceito de associar atividades culturais à geração de lucro. A defesa vai além do impacto direto sobre artistas e produtores. Durante a palestra no Rio Innovation Week, Calainho afirmou que o conceito de entretenimento mudou e hoje está ligado a turismo, educação, regeneração urbana, inovação e desenvolvimento humano. “Entretenimento não é mais apenas diversão”, resumiu Calainho. Segundo ele, equipamentos culturais devem funcionar como polos permanentes de desenvolvimento, oferecendo cursos, capacitação profissional, eventos e atividades educativas, além da programação artística. A ideia é transformar teatros e espaços culturais em “hubs” capazes de movimentar cadeias como comércio, hotelaria, gastronomia, transporte e publicidade. A própria L21 Corp foi apresentada como exemplo desse modelo. A companhia reúne 18 negócios ligados a música, teatro, rádio, festivais e experiências culturais. Opera oito equipamentos culturais e projeta faturamento de R$ 380 milhões em 2026, crescimento de 20% sobre o ano anterior. Para Calainho, porém, o principal retorno da economia criativa não é apenas financeiro: “Não basta produzir grandes espetáculos. Precisamos produzir grandes oportunidades.”