Escolhido por Flávio Bolsonaro como vice na chapa à Presidência após os partidos do centrão rejeitarem uma coligação, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), 55, surgiu na política pelas mãos da família Calheiros (MDB), aliada do presidente Lula (PT).

O movimento busca reforçar o discurso de Flávio na segurança pública, área de atuação do parlamentar, e também entre os eleitores do Nordeste —Gaspar nasceu em Maceió, a capital mais bolsonarista da região—, além de atacar o governo Lula na fraude do INSS, sobre a qual ele foi relator de uma CPI no Congresso.

Gaspar era um promotor de Justiça quando foi escolhido pelo então governador Renan Filho (MDB) como Secretário Estadual de Defesa Social. Ficou no cargo de 2015 a 2016, quando uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) obrigou os integrantes do Ministério Público a renunciarem à carreira para assumirem cargos no Executivo.

Ele voltou ao Ministério Público e assumiu como Procurador-Geral de Justiça do MP de Alagoas por dois mandatos. No cargo, foi acusado por adversários de blindar a gestão de Renan Filho contra investigações, o que negou.

Decidiu deixar a carreira definitivamente para disputar a eleição para prefeito de Maceió em 2020. A estratégia dos Calheiros era usar a imagem do ex-secretário e a redução de índices de criminalidade para atrair o eleitor mais conservador da capital e estabelecer um palanque forte na cidade, onde a família sempre teve mais dificuldades eleitorais.