A declaração foi dada durante entrevista ao podcast "Meteoro Brasil" ao comentar o aumento das tensões diplomáticas entre os dois países. Lula afirmou que o Brasil exige ser tratado com respeito e criticou a condução do governo americano em relação às relações diplomáticas com o país. Segundo o presidente, os Estados Unidos demoraram a indicar um embaixador para o Brasil e não poderiam impor o cronograma desejado para o recebimento do representante. Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUA Eleições Ao responder sobre uma eventual interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, Lula também afirmou que o país está preparado para enfrentar qualquer tentativa de influência externa. "O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral", declarou. O presidente mencionou ainda que que orientou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a não marcar encontros com embaixadores até o fim da eleição. Segundo o presidente, a medida vale para representantes de qualquer país. "Eu disse ao Mauro: até a eleição eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição", afirmou. Lula durante evento no Palácio do Planalto. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República A declaração ocorre um dia após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil e em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países. Durante a entrevista, Lula disse que o governo brasileiro não aceitará interferências externas no processo eleitoral e defendeu uma relação baseada no respeito entre as nações. Tensão com os EUA Desde o início da campanha eleitoral, a relação entre Brasil e Estados Unidos passou por uma escalada de tensão política e diplomática. O governo de Donald Trump anunciou medidas tarifárias contra produtos brasileiros, no episódio que ficou conhecido como "tarifaço", enquanto integrantes do governo Lula passaram a atribuir às ações americanas um componente político ligado à disputa eleitoral brasileira. Nesse contexto, aliados do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, intensificaram contatos com setores políticos americanos. O deputado Eduardo Bolsonaro passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de pautas ligadas ao grupo bolsonarista, enquanto o governo brasileiro passou a denunciar tentativas de pressão externa sobre instituições nacionais. A crise se aprofundou nos últimos dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos. - Esta reportagem está em atualização