0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Logotipo da Toyota em modelo RAV 4 — Foto: Tomohiro Ohsumi/Bloomberg A Toyota Motor está se tornando cada vez mais dependente do mercado americano para manter as vendas estáveis, o que, por sua vez, expõe a montadora japonesa ao risco de mudanças repentinas nas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O volume global de vendas de veículos Toyota e Lexus caiu 3% em relação ao ano anterior, no trimestre de abril a junho, para 2,55 milhões de unidades, informou a Toyota nesta terça-feira. As vendas na China, um dos maiores mercados, caíram 28%, para 320 mil unidades. A América do Norte e o Japão ajudaram a sustentar as vendas. A Toyota vendeu 670 mil unidades nos Estados Unidos, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. O volume de vendas no Japão saltou 18%, para 410 mil veículos. "Embora tenha havido algumas regiões com queda nas vendas, as regiões com crescimento deram um suporte maior do que o esperado", disse Takanori Azuma, diretor do Grupo de Contabilidade da Toyota. A eliminação gradual dos subsídios para veículos elétricos em Washington forçou as montadoras a mudarem suas estratégias. No trimestre de abril a junho, o volume de vendas nos Estados Unidos da General Motors e da Ford Motor caiu 4% e 10%, respectivamente, em comparação com o ano anterior. Os números da Tesla não são divulgados oficialmente, mas o volume aparentemente caiu 13%, segundo pesquisa da empresa de inteligência de mercado americana Cox Automotive. A estratégia da Toyota abrange uma ampla gama de veículos, desde carros a gasolina até híbridos e elétricos. Essa abordagem tem se mostrado eficaz nos Estados Unidos. Os novos modelos do sedã Camry e do utilitário esportivo RAV4 mantiveram seu ritmo no mercado. A força da Toyota em híbridos a torna menos suscetível à concorrência de preços nos Estados Unidos, contribuindo para altas margens de lucro. "Mesmo com as preocupações sobre uma desaceleração econômica, o poder de compra dos Estados Unidos permanece forte", disse Seiji Sugiura, analista sênior do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory. A desvalorização do iene contribui para o avanço dos lucros da Toyota. Para o atual ano fiscal, que termina em março de 2027, a depreciação da moeda japonesa deverá impulsionar o lucro em 480 bilhões de ienes (US$ 3,04 bilhões) em comparação com a previsão inicial. O impacto do conflito no Oriente Médio parece estar diminuindo. Inicialmente, a Toyota projetou recuo de 670 bilhões de ienes nos lucros devido aos cortes na produção e aos altos custos das matérias-primas. Essa previsão agora é de 510 bilhões de ienes. A Toyota projeta um impacto negativo de 60 bilhões de ienes devido a fatores como a descontinuação do desenvolvimento de sua próxima geração de veículos elétricos Lexus, o LF-ZC. A montadora japonesa registrou crescimento de lucro no período de abril a junho, enquanto a GM e a Tesla apresentaram quedas. Os Estados Unidos contribuem cada vez mais para o volume de vendas globais da Toyota, passando de 23% para 26%. Mas esse crescimento traz desvantagens. Uma delas é a instabilidade da taxa de câmbio: o iene se valorizou recentemente devido à intervenção das autoridades japonesas e americanas. "Seria desejável que a taxa de câmbio permanecesse estável", disse Azuma. Riscos políticos também pairam sobre o mercado americano. A primeira revisão conjunta do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), realizada em 1º de julho, resultou na decisão de Washington de não renovar o acordo comercial. Washington propõe aumentar a exigência de componentes de veículos produzidos na América do Norte para 82% do valor, ante os atuais 75%. Pelo menos 50% das peças teriam origem nos Estados Unidos. O cumprimento dessas revisões do USMCA aumentaria os custos em até US$ 1.200 por veículo, segundo a consultoria americana AlixPartners. Grande parte do custo adicional viria da certificação de origem e da fabricação de aço e alumínio na América do Norte. Em julho, a Toyota anunciou que transferiria parte da produção de sua picape Tacoma, atualmente fabricada em instalações mexicanas, para os Estados Unidos até 2030. A empresa investirá US$ 3,6 bilhões na construção de uma nova linha de produção em sua fábrica no Texas. "Levando em consideração a logística simplificada e o impacto das tarifas, exploramos um sistema de produção que entrega veículos aos nossos clientes ao menor preço possível", disse Azuma. A Toyota anunciou em novembro que investiria até US$ 10 bilhões nos Estados Unidos ao longo de cinco anos, buscando aumentar a produção de veículos elétricos, incluindo os populares híbridos, bem como componentes essenciais. Com as tarifas, custos trabalhistas e a necessidade de adequação ao USMCA elevando os custos, uma proporção de vendas persistentemente maior nos Estados Unidos poderia prejudicar a capacidade da Toyota de responder a crises. Os fortes resultados financeiros da empresa têm gerado pouco interesse na compra de ações da Toyota. Desde o final de 2025, o preço das ações da montadora caiu 13%. No mesmo período, o índice “Nikkei Asia” subiu 27%. A fabricante japonesa de memórias Kioxia Holdings quase quintuplicou o preço de suas ações. Enquanto o dinheiro dos investidores flui para ações de inteligência artificial, os participantes do mercado relutam em investir no setor automotivo devido a incertezas como o aumento dos custos de matéria-prima e a concorrência nas exportações com as empresas chinesas.
Lucro da Toyota está cada vez mais atrelado ao mercado dos EUA e às oscilações de Trump
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