Um desequilíbrio nas bactérias presentes no sêmen está associado a menos nascimentos e mais perdas gestacionais em casais que fazem fertilização in vitro (FIV) ou enfrentam abortos recorrentes, aponta estudo publicado nesta terça (4) na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health.
A pesquisa também identificou que um desequilíbrio nas bactérias intestinais das mulheres está ligado a maior demora para engravidar e a menor chance de concepção, mas não a mais perdas gestacionais.
Esse desequilíbrio é chamado de disbiose: quando a composição natural de bactérias de um órgão ou tecido —no intestino, na vagina ou no sêmen— sai do padrão considerado saudável, com queda de espécies benéficas e aumento de outras associadas a inflamação. É diferente de uma infecção, porque não costuma causar sintomas nem aparecer em exames de rotina.
O estudo acompanhou 353 mulheres e 191 de seus parceiros, todos casais heterossexuais recrutados entre 22 de março de 2018 e 17 de outubro de 2023 em hospitais universitários de Copenhague, na Dinamarca, com parte dos participantes também na Suécia, via um biobanco binacional da região de Öresund.
Os pesquisadores analisaram as bactérias do intestino e da vagina das mulheres e do sêmen dos homens, usando sequenciamento genético para mapear cada comunidade bacteriana. Depois, acompanharam cada casal até o nascimento de um bebê ou a perda da gravidez.








