O Líbano lembrou nesta terça-feira (4) os seis anos da explosão fatal no porto de Beirute. Parentes de vítimas e autoridades libanesas expressaram esperança de que seja feita justiça em uma das maiores explosões não nucleares da história.

A detonação de 4 de agosto de 2020, que matou mais de 200 pessoas e destruiu extensas áreas da capital, teria sido provocada por centenas de toneladas de nitrato de amônio, utilizado principalmente como fertilizante, que estavam armazenadas no porto.

Mas a investigação sobre os produtos químicos e sobre quais autoridades poderiam ser consideradas negligentes foi repetidamente obstruída por anos de interferência política. Autoridades do Judiciário e ministros apresentaram sucessivos recursos contra os juízes responsáveis pela investigação, paralisando o inquérito.

"Em países normais, isso já teria acabado, estaríamos em outra fase de nossas vidas e teríamos o direito de viver o luto", disse Paul Naggear, cuja filha Alexandra, 3, apelidada de Lexou, morreu na explosão. "Quando não há justiça, significa que a vida de Lexou não tem valor."

Uma virada ocorreu no início de 2025, quando o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam assumiram os cargos e prometeram responsabilizar os envolvidos pela explosão.