Clínicas oncológicas vivem crise financeira há meses. Bancos e fornecedores de medicamentos somam maior parte dos débitos. Companhia diz que atendimento não será afetado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oncoclínicas encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões — Foto: Reprodução A Justiça de São Paulo aceitou na tarde desta terça-feira o pedido de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas. A decisão não significa que o plano de reestruturação foi homologado, mas autoriza que a empresa siga para a fase de negociação com os credores. Para isso, a rede de clínicas de tratamento oncológico ficará blindada da execução das dívidas por 180 dias. O passivo da companhia soma R$ 5,1 bilhões. Imersa numa crise financeira e de governança, a Oncoclínicas formalizou o processo de recuperação no último dia 14, após credores titulares de 37% da dívida abrangida aderirem ao plano. A proporção é suficiente para a abertura do processo. Nos próximos 90 dias a empresa terá que alcançar a aprovação de 50% dos credores para que o plano de reestruturação seja homologado pela Justiça. Quase 800 credores Ao todo, a lista de credores da Oncoclínicas envolve 795 nomes. As dívidas incluem principalmente operações de financiamento via bancos e mercado de capitais, faturas em aberto com fornecedores de medicamentos e também valores relativos a fusões e aquisições, um dos caminhos que a empresa seguiu nos últimos anos para crescer. Juntos, a securitizadora Opea, a corretora Pentágono DTVM e a administradora de fundos Oliveira Trust concentram mais de R$ 3 bilhões em créditos. Já entre os fornecedores, a distribuidora de medicamentos OncoProd tem o maior montante a receber, R$ 1,02 bilhão, enquanto Santander, Itaú e Banco Votorantim se destacam entre as instituições financeiras. O Santander aparece em seguida, com R$ 114 milhões de um empréstimo concedido à rede oncológica. Há ainda um fundo de investimentos, representado pela Pentágono S.A DTVM, que é dono de R$ 64,8 milhões em debêntures da Oncoclínicas. Já com o Banco Votorantim, os débitos somam R$ 44, 3 milhões em títulos de dívida emitidos pela instituição financeira. A recuperação não abrange custos operacionais atuais da rede de clínicas, ou seja, apenas débitos já vencidos com fornecedores de medicamentos e insumos foram incluídos no plano. Valores relativos a médicos, enfermeiros e outros funcionários também ficaram de fora. Desse modo, segundo a empresa, os atendimentos aos pacientes continuam normalmente durante o processo. 'Fatores internos e externos' A recuperação extrajudicial foi a solução adotada pela empresa “antes que medidas individuais e descoordenadas por parte de credores pudesse agravar a situação econômico-financeira” da companhia, argumentou a Oncoclínicas no processo levado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ao qual O GLOBO teve acesso. Entre as causas para a crise de caixa, a empresa elenca “fatores internos e externos”, como a expansão acelerada das atividades e a “deteriorização do ambiente macroeconômico”, como taxas de juros em patamar elevado. O plano de recuperação, segundo a companhia, poderá envolver medidas como a injeção de recursos pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em ações da empresa, a renegociação de alguns dos débitos por novos empréstimos e a ampliação do prazo para pagamento aos credores. O grupo também informou que, como parte da reestruturação, rescindiu contratos que previam a abertura de uma clínica em São Paulo e a construção de um hospital em Goiânia. Proteção contra credores Em meados de junho, terminou o período de 60 dias de proteção contra credores que a companhia conseguiu na Justiça em abril, após divulgar que encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões e com a dívida fora das condições previstas em contrato com os credores. O tolerado era uma alavancagem de até 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização). O indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro. Na Oncoclínicas, a alavancagem ficou em 4,3 vezes. Na época, direção da Oncoclínicas falou em "incerteza quanto à continuidade operacional". Uma das causas citadas para o agravamento do quadro foi a inadimplência da Unimed Ferj, que somou R$ 861 milhões. Segundo a operadora, esse valor já foi negociado. Outro fator apontado foi a liquidação extrajudicial do Banco Master. Isso porque a empresa investiu cerca de R$ 478,2 milhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do banco de Daniel Vorcaro.
Oncoclínicas: Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial e dá seis meses de proteção contra credores
Clínicas oncológicas vivem crise financeira há meses. Bancos e fornecedores de medicamentos somam maior parte dos débitos. Companhia diz que atendimento não será afetado








