Aprovação abre caminho para uma votação de confirmação dos senadores no plenário ainda esta semana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O secretário interino de Justiça dos EUA, Todd Blanche, participa de uma reunião de gabinete em Camp David, Thurmont, Maryland, EUA, em 31 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Daniel Heuer Todd Blanche superou nesta terça-feira um importante obstáculo em seu caminho para ser confirmado como secretário de Justiça dos Estados Unidos, após os republicanos aprovarem o avanço de sua indicação na Comissão de Justiça do Senado em votação dividida por linhas partidárias. Ainda assim, persistem dúvidas sobre o acordo apresentado por ele para extinguir o "fundo contra a instrumentalização da Justiça" do presidente Donald Trump e restringir um acerto que garantia imunidade a Trump em auditorias sobre declarações passadas de imposto de renda. Blanche, ex-advogado pessoal de Trump e atual secretário interino de Justiça, concordou no domingo em alterar os termos do fundo e do acordo sobre auditorias fiscais para conquistar o apoio de dois senadores republicanos que resistiam à sua indicação. Críticos, porém, afirmam que as mudanças não vão longe o suficiente. Ele emitiu ordens que, segundo afirmou, encerram o fundo e determinou que o acordo sobre imunidade fiscal se aplique apenas às declarações de imposto de renda passadas de Trump, de seu filho e da empresa da família. O texto, no entanto, permite auditorias sobre declarações futuras. "Até conservadores estão dizendo que esses documentos não valem o papel em que foram escritos", afirmou o senador Cory Booker durante a audiência desta terça-feira. "Não obtivemos nada. Nenhuma garantia de que esse caixa-preta não possa ser recriado. Não obtivemos nada que impeça o presidente dos Estados Unidos de fraudar seus impostos sem ser responsabilizado." Os senadores republicanos John Cornyn e Thom Tillis, que bloqueavam a indicação, disseram na segunda-feira estar satisfeitos com o acordo e anunciaram que votariam para aprovar o nome de Blanche na Comissão de Justiça, argumentando que ele poderá oferecer estabilidade ao Departamento de Justiça. A aprovação na comissão abre caminho para uma votação de confirmação no plenário do Senado ainda esta semana. "Diante desse acordo com o sr. Blanche, espero que o departamento cumpra esses compromissos em futuras ações judiciais", disse Cornyn na audiência desta terça-feira, agradecendo a Blanche por negociar uma solução com ele e Tillis. Tillis fez coro ao colega e afirmou que tanto democratas quanto republicanos politizaram o Departamento de Justiça para perseguir adversários. "Achei esse fundo um insulto", disse Tillis. "Ele foi revogado e estou satisfeito." Críticos classificaram o acordo firmado por Blanche como uma "farsa", argumentando que ele não impede Trump de recriar o fundo futuramente nem resolve as questões éticas relacionadas à proteção do presidente contra auditorias fiscais. Alguns defenderam que os republicanos aprovem uma lei proibindo explicitamente a recriação do fundo e encerrando as proteções fiscais concedidas a Trump. A disputa sobre a imunidade fiscal de Trump e o fundo de US$ 1,8 bilhão decorre do acordo firmado para encerrar o processo de US$ 10 bilhões movido por Trump contra a Receita Federal (IRS). O fundo foi concebido para beneficiar pessoas que alegam ter sido processadas injustamente por suas atividades políticas e poderia favorecer aliados de Trump que afirmam ter sido perseguidos pelo governo federal por sua participação na invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O senador americano Cory Booker discursa na votação do Comitê Judiciário do Senado dos EUA sobre a indicação de Todd Blanche pelo presidente Donald Trump para o cargo de secretário de Justiça dos EUA, no Capitólio, em Washington, DC, EUA, em 4 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz ‘Compromissos reais’ Críticos classificam o mecanismo como um "caixa-preta republicano" e observam que os advogados pessoais de Trump não assinaram a ordem de Blanche extinguindo o fundo, embora o acordo original determine que qualquer alteração dependa da aprovação de todas as partes. Os advogados de Trump ainda não comentaram publicamente o assunto. O Departamento de Justiça e Blanche também se recusaram a afirmar na Justiça que o fundo jamais poderá ser recriado, enquanto Trump tem reiterado seu entusiasmo pela iniciativa. "O fundo para quem agrediu policiais pode ser facilmente recriado por uma nova ordem do Departamento de Justiça no dia seguinte à confirmação do sr. Blanche", afirmou o senador Dick Durbin, principal democrata da Comissão de Justiça. "Na verdade, o próprio presidente já sinalizou esse plano." Durbin também acusou Blanche de cometer perjúrio durante sua audiência de confirmação ao afirmar que jamais lhe disse que o fundo era um erro. Segundo Durbin, Blanche fez essa declaração, o que poderia servir de base para uma investigação caso os democratas retomem o controle do Senado após as eleições deste ano. Na semana passada, a Comissão de Justiça adiou a votação da indicação depois que Cornyn e Tillis exigiram comprovação por escrito de que o fundo seria encerrado e que o acordo de imunidade fiscal seria restringido. As exigências dos dois senadores, que disseram representar também outros republicanos, configuraram uma das mais relevantes rebeliões do partido contra Trump em seu segundo mandato. O grupo de advocacia Democracy Forward, que move uma ação judicial contra o fundo, enviou na segunda-feira uma carta ao Departamento de Justiça pedindo que o programa fosse oficialmente cancelado em definitivo, mas ainda não recebeu resposta. Sob a liderança de Blanche, o Departamento de Justiça processou adversários políticos de Trump e rompeu com normas tradicionais de independência da instituição. Blanche também supervisionou a divulgação de arquivos relacionados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Parlamentares republicanos, por outro lado, elogiaram sua atuação diante da queda dos índices de criminalidade.