Senador do Republicanos havia afirmado no dia anterior que não iria concorrer; possível candidatura tem uma série de idas e vindas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cleitinho na Convenção do Republicanos — Foto: Luiza Marzullo O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) tentou voltar atrás nesta terça-feira, um dia depois de anunciar que não disputaria o governo de Minas Gerais, e fez um apelo público para que o partido lhe conceda a vaga. A manifestação ocorreu durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, e abriu um novo capítulo na sequência de idas e vindas que marcou a tentativa do senador de concorrer ao Palácio Tiradentes. Diante de dirigentes e parlamentares da legenda, Cleitinho reconheceu os recuos das últimas semanas e pediu uma nova chance ao presidente nacional do partido, Marcos Pereira. — Quem nunca foi e voltou? Quem nunca teve equívoco? Quem nunca errou? Então eu peço aqui, humildemente, que o presidente possa me dar essa vaga, porque eu não vou decepcionar o povo mineiro — afirmou. Após anunciar desistência, Cleitinho volta a pedir vaga para concorrer ao governo de Minas A fala ocorreu menos de 24 horas depois de Cleitinho aparecer ao lado do próprio Pereira para anunciar que permaneceria no Senado. Na segunda-feira, aos prantos, o senador havia atribuído a desistência ao momento pessoal que atravessa desde a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia no mês passado, e afirmado que não tinha condições de enfrentar uma campanha. — Quero pedir perdão porque meu momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu entrar numa campanha agora do jeito que eu estou — disse na ocasião. Nesta terça, porém, Cleitinho afirmou que acredita ter condições de fazer campanha e pediu ao partido que reconsiderasse mais uma vez a decisão. A resposta de Marcos Pereira veio ainda durante a convenção. O presidente do Republicanos ressaltou que o encontro nacional não tinha como objetivo deliberar sobre Minas Gerais, mas decidiu responder ao pedido e fez uma longa reconstrução das negociações com o senador. — Diante da manifestação do senador, eu devo uma manifestação. Essa convenção não é para deliberar questões de Minas Gerais — afirmou. — Ele não foi e voltou só nessas duas semanas. Segundo Pereira, a direção partidária vinha cobrando uma definição de Cleitinho havia meses e concedeu sucessivos prazos para que ele formalizasse a candidatura. O senador chegou a pedir que a decisão fosse adiada até o fim da Copa do Mundo e, posteriormente, ficou acertado que anunciaria sua intenção em 20 de julho. A morte do irmão, sepultado no dia 19, levou o Republicanos a flexibilizar novamente o calendário. Pereira afirmou que Cleitinho poderia confirmar a candidatura na convenção estadual, realizada em 25 de julho, inclusive por procuração ou por meio do irmão gêmeo. Segundo o dirigente, nenhuma dessas alternativas foi utilizada. O presidente do Republicanos relatou ainda ter oferecido ao senador a possibilidade de ir a São Paulo nos dias seguintes para assinar uma carta à Executiva nacional e gravar um vídeo ao seu lado confirmando a candidatura. — Se o senador Cleitinho quer mesmo ser candidato, que ele venha a São Paulo declarando à Executiva que ele é candidato — disse Pereira ao relembrar a proposta. Em um dos trechos da fala, o dirigente afirmou que fez diferentes ajustes de sua própria agenda para tentar receber Cleitinho e lembrou a reunião de cerca de cinco horas realizada na semana passada, em São José dos Campos. Segundo Pereira, saiu do encontro com a sensação de ter gasto horas tentando resolver uma indefinição que já se prolongava havia meses. — Na política, a gente não faz o que quer, faz o que é possível. Eu não posso, eu seria irresponsável com Minas. nao posso colocar Minas na mão de uma pessoa que ora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra. Voltar atrás todo mundo tem direito, mas não pode ser inconstante nesse nivel. Diante do exposto, a decisão está tomada — afirmou. Uma sequência de recuos A disputa entre Cleitinho e o Republicanos se arrasta desde antes da convenção estadual. O senador liderava pesquisas de intenção de voto para o governo, mas evitava confirmar publicamente que concorreria e condicionava a decisão ao cenário eleitoral. Na semana passada, a direção nacional perdeu a confiança de que ele assumiria a candidatura e decidiu retirar seu nome da disputa. Enquanto dirigentes do Republicanos, PL e PP avançavam numa articulação em torno de Marcelo Aro (PP), Cleitinho divulgou um vídeo dizendo que aceitava concorrer. No dia seguinte, depois de o partido já ter indicado que não lhe daria legenda, o senador convocou uma entrevista coletiva em Divinópolis, afirmou que seria candidato ao governo e anunciou Luís Eduardo Falcão como vice. A reação levou a uma nova rodada de negociações. Cleitinho viajou a São Paulo e participou de uma reunião de cerca de cinco horas com Marcos Pereira e dirigentes do Republicanos. O encontro foi marcado por cobranças sobre a condução da pré-candidatura, mas o partido voltou a deixar aberta a possibilidade de lhe oferecer a vaga. Na segunda-feira, em Brasília, Pereira afirmou que o Republicanos havia colocado novamente a candidatura à disposição. Foi então que Cleitinho desistiu, alegando razões familiares. A nova mudança de posição, menos de um dia depois, aumentou o desgaste dentro da legenda. Na fala desta terça-feira, Pereira tentou deixar claro que a indefinição não decorreu da falta de oportunidades oferecidas pelo partido, mas da dificuldade de obter do senador uma decisão considerada definitiva. Minas volta ao impasse A reviravolta ocorre num momento em que PL, Republicanos e integrantes da federação União Progressista tentavam fechar uma composição em torno de Marcelo Aro para o governo. Aro voltou a ganhar força depois da desistência anunciada por Cleitinho na segunda-feira e era tratado como favorito para uma construção capaz de reunir parte da direita em Minas e oferecer um palanque a Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país. Para o PL nacional, a principal preocupação é garantir um candidato ao governo disposto a dividir o palanque com Flávio. Aro já sinalizou que não criaria obstáculos à presença do presidenciável, enquanto Cleitinho também vinha sendo defendido por uma ala do partido por seu desempenho nas pesquisas.