A lógica do negócio é a mesma do chamado 'sale and leaseback' no mercado imobiliário Foto: Adobe StockGrandes empresas brasileiras que têm data centers próprios - como bancos, varejistas e grupos de telecomunicações - estão se articulando para vender seus empreendimentos a operadores especializados e assinar contratos para permanecerem como usuárias do serviço de processamento de dados.PUBLICIDADE“Nos Estados Unidos, esse é um mercado gigante. No Brasil, está só engatinhando, mas já vemos aqui grandes empresas com data centers próprios interessadas em monetizá-los”, diz o presidente da Primaz & Co, Luiz Viotti. “Hoje estamos com três negócios desse tipo no pipeline”, conta, acrescentando que essas transações têm potencial para movimentar em torno de R$ 500 milhões no curto prazo.A lógica do negócio é a mesma do que acontece do chamado “sale and leaseback” no mercado imobiliário: empresas vendem suas sedes ou centros de distribuição, mas permanecem nos locais mediante contratos de locação de longo prazo. O objetivo é gerar liquidez com a venda dos ativos e reduzir o custo de manutenção dos imóveis através da transferência a terceiros - geralmente operadoras internacionais com experiência e escala.Do lado dos compradores, o interesse nas aquisições se justifica pela dificuldade de construir novos data centers. Isso demanda encontrar terrenos próximos de grandes centros, boa oferta de energia elétrica, internet e segurança - o que custa caro. Além disso, boa parte dos investimentos para a construção de novos projetos acabou frustrada pela indefinição do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData), elaborado pelo governo federal ano passado, mas barrado no Senado. “Construir do zero está mais complicado”, observa Viotti.Empresa espera expandir faturamento em 25%A intermediação da compra e venda data centers faz parte de uma nova área que está sendo aberta pela Primaz, butique de investimentos imobiliários em fase de crescimento. Para 2026, a previsão é de expandir o faturamento em torno de 25% através da expansão dos negócios atuais e abertura de novas frentes. Fundado em 2001, o grupo atua com estruturação e consultoria para investimentos imobiliários, participação, coincorporação e mercado de capitais.PublicidadeA compra e a venda de grandes propriedades comerciais - prédios de escritórios, shopping centers e galpões logísticos - têm mostrado resiliência no País. O que tem motivado as transações são os fundamentos positivos, isto é, redução dos espaços vagos nos imóveis comerciais e o crescimento no valor dos aluguéis, o que atrai os investidores. “Mesmo com o juro alto, todos os setores do mercado imobiliário têm subido o preço da locação, o que agradou o investidor nos últimos trimestres”, comenta Fernando Oliveira, fundador da Primaz & Co.Dentre as últimas negociações, a Primaz atuou na venda do Park Shopping São Caetano (R$ 237 milhões), do centro logístico LOG Brasília (R$ 163,6 milhões) e do Edifício Corporate Garden, no Itaim Bibi (R$ 153,3 milhões). A companhia também firmou contrato com a Sabesp para prospectar a venda de terrenos e imóveis da concessionária privatizada, o que está em andamento.Parceria internacionalEm outra frente, a Primaz acaba de fechar uma parceria internacional, tornando-se sócia da Legacy Real Estate Capital, gestora de investimentos imobiliários sediada em Miami, nos Estados Unidos, e que tem os brasileiros Jacob Abdala e Flávio Guimarães como sócios-fundadores. Nesta parceria, o objetivo é comprar shoppings de bairro - chamados por lá de strip malls - de proprietários endividados e dispostos a vender os empreendimentos abaixo do preço de mercado.“Muitos proprietários altamente alavancados passaram a vender ativos abaixo do custo de reposição. Nossa estratégia é adquirir esses imóveis com desconto, realizar melhorias pontuais, renegociar contratos de locação, elevar a geração de renda e, posteriormente, capturar a valorização dos ativos em um horizonte de três a cinco anos”, explica Viotti. A Primaz ainda entrará como investidora do fundo estruturado pela Legacy nesse setor. O veículo buscará outros investidores brasileiros, visando captar no mínimo de US$ 50 milhões. Somando operações de financiamento, a previsão é que o fundo seja capaz de investir na ordem de US$ 125 milhões.PublicidadeEsta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 03/08/2026, às 17:38A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Empresas brasileiras podem movimentar R$ 500 milhões com vendas de data centers
Projeção para cenário de curto prazo é da Primaz & Co, butique de investimentos imobiliários








