Na B3, o estoque de letras financeiras chegou à marca de R$ 1 trilhão ao final do primeiro semestre Foto: Taba Benedicto/Estadão - 07/04/2025Os bancos emitiram bilhões em letras financeiras (LFs) nas últimas semanas, um título de renda fixa usado para captar recursos. Com forte demanda, nomes como Santander, Banco Stellantis, o Nubank e o Mercado Crédito, que é o banco do Mercado Livre, levantaram R$ 10,5 bilhões. Novas operações, sobretudo de bancos de montadoras, estão para sair nas próximas semanas, de acordo com fontes.PUBLICIDADENa emissão do Mercado Crédito, de R$ 1,5 bilhão, a demanda foi mais que o dobro da oferta, chegando a R$ 3,3 bilhões. No Daycoval, que fez na semana passada sua maior captação de letras financeiras, de R$ 2,5 bilhões, os pedidos para o papel superaram R$ 6 bilhões.Ainda nas ofertas recentes, o Nubank emitiu R$ 1,59 bilhão em junho, e os pedidos bateram em R$ 3 bilhões. Já a Stellantis Financiamentos levantou R$ 2,2 bilhões em letras, a maior captação já feita por esse instrumento pelo banco da montadora.Na B3, o estoque de letras financeiras chegou à marca de R$ 1 trilhão ao final do primeiro semestre, alta de 19% na comparação anual. Com a expansão do mercado, a bolsa lançou nessa semana seu primeiro índice com foco no desempenho das letras financeiras.Papéis são vistos com mais segurançaO risco menor dos bancos que costumam emitir esses papéis, comparado ao de empresas, com muitas enfrentando problemas financeiros, é um dos fatores que ajudam a atrair demanda para as letras, vinda principalmente de grandes investidores, como gestoras de recursos.Publicidade“Voltaram a ter emissões de letras financeiras pelos bancos, que estão ajudando na retomada do mercado de dívida como um todo”, afirma o diretor da área de emissão de dívida (DCM, na sigla em inglês) do Daycoval, Renato Otranto. “O investidor gosta do risco bancário. Tem tido demanda grande.”O executivo ressalta que 2026 começou bem nas captações de renda fixa, mas o mercado passou por um período de estresse a partir de março, por conta dos problemas de crédito de algumas grandes empresas, como a Raízen, o que fez as emissões de títulos como debêntures esfriarem. Mais recentemente, a partir de final de junho, começou um período de maior estabilidade nesse mercado, destaca o executivo do Daycoval.Investidor não quer surpresasA demanda pelas letras financeiras mostra que o investidor não está nesse momento disposto a ter surpresas no crédito privado e para isso prefere ter uma remuneração menor do que haveria em outros papéis, diz o sócio da Sparta, Ulisses Nhemi. “A remuneração não é um espetáculo, mas é um título seguro”, afirma.“A forte demanda e as condições obtidas demonstram a confiança dos investidores na solidez do Mercado Crédito”, afirma em nota o diretor sênior de tesouraria do Mercado Livre e Mercado Pago no Brasil, Lourenço Cassandre. Com a demanda alta, o custo de captação caiu, ressalta o executivo.As letras financeiras devem representar uma parcela cada vez maior da captação no setor financeiro, afirmam os analistas da agência de classificação de riscos Fitch, em relatório recente. A avaliação é de que o instrumento favorece prazos mais longos, diversifica passivos e amplia acesso a investidores institucionais. Para a agência e classificação de riscos, o aperto recente nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após o rombo deixado pela liquidação do Master, também deve impulsionar a emissão de LFs.PublicidadeEsta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 30/07/2026, às 14:52A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.