Grávida de 35 semanas, McKenna West recorre de decisões judiciais enquanto busca autorização para levar o recém-nascido a um hospital especializado no Texas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 McKenna West se recusou a interromper a gestação, como pediram os pais biológicos depois que o feto foi diagnosticado com uma grave cardiopatia congênita — Foto: Redes Sociais Uma enfermeira do Alasca, nos Estados Unidos, trava uma batalha judicial após se recusar a interromper a gestação de um bebê do qual é barriga de aluguel, diagnosticado com cardiopatia congênita. Grávida de 35 semanas, McKenna West tenta garantir que a criança seja submetida a uma cirurgia logo após o nascimento. Os pais biológicos, um casal da Califórnia, buscam na Justiça manter seus direitos parentais. Segundo reportagem a Live Action, publicada na sexta-feira (31), a Suprema Corte do Alasca decidiu recentemente que um tribunal da Califórnia poderá definir onde ocorrerá o parto e qual equipe médica atenderá o bebê, decisão da qual West recorre. Mãe solteira de duas crianças, West foi contratada por uma agência de barriga de aluguel sediada em Connecticut para gestar o filho do casal. Após exames iniciais considerados normais, uma ultrassonografia realizada na 20ª semana revelou que o bebê apresentava síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo, malformação em que o lado esquerdo do coração não se desenvolve adequadamente. Embora a condição seja grave, especialistas afirmaram que o recém-nascido poderá ser submetido a cirurgias após o parto. Disputa sobre o futuro do bebê Segundo West, foi após o diagnóstico que os pais biológicos manifestaram pela primeira vez o desejo de interromper a gestação. O contrato de barriga de aluguel previa uma cláusula que obrigava a gestante a realizar um aborto em caso de anomalias fetais, disposição que ela afirma ter questionado antes da assinatura, mas que lhe foi apresentada pela agência como uma situação improvável. — Eu sabia que não queria passar por um aborto. Eu não queria que a vida desse bebê fosse interrompida precocemente — afirmou West à Live Action. A enfermeira disse que tentou convencer o casal de que havia possibilidades de tratamento. Ela pesquisou centros especializados e encontrou um hospital em Dallas, no Texas, que realiza cirurgias para esse tipo de cardiopatia. Dados do Hospital Presbiteriano de Nova York indicam que crianças submetidas à primeira intervenção têm cerca de 75% de chance de sobreviver até os cinco anos e, entre aquelas que chegam ao primeiro aniversário, aproximadamente 90% alcançam a idade adulta. Mesmo assim, segundo West, os pais biológicos oficializaram o pedido para que a gestação fosse interrompida. Ela afirma que recusou a solicitação por motivos morais e passou a buscar apoio jurídico e médico para levar a gravidez adiante. Batalha nos tribunais O caso evoluiu para uma disputa entre os estados do Alasca e da Califórnia. Os pais biológicos ingressaram com uma ação de US$ 250 mil contra West, pedindo a devolução dos valores pagos pelo processo de barriga de aluguel e indenizações adicionais. Eles também defendem que o parto ocorra na Califórnia, onde obtiveram uma decisão judicial reafirmando seus direitos parentais. West, por sua vez, entrou com uma ação no Tribunal Superior do Alasca pedindo a guarda exclusiva do bebê para autorizar o tratamento em um hospital do Texas. Por meio de seus advogados, ela afirma que aceita viajar para a Califórnia para o parto caso os pais se comprometam a permitir a cirurgia cardíaca da criança. Na semana passada, a Suprema Corte do Alasca rejeitou um pedido para obrigar a gestante a se mudar imediatamente para a Califórnia, mas reconheceu que um tribunal californiano poderá decidir sobre o local do nascimento e a equipe médica responsável pelo atendimento. O governo do Alasca também apresentou uma declaração de interesse no processo. O documento sustenta que a Constituição estadual garante à barriga de aluguel autonomia para tomar decisões médicas durante a gravidez, incluindo onde receber atendimento e quais profissionais acompanharão uma gestação de alto risco. Os pais biológicos contestaram essa posição, alegando que seus direitos constitucionais como futuros pais e os interesses da criança devem prevalecer. Enquanto a disputa segue nos tribunais, West permanece no Texas à espera do nascimento do bebê e diz continuar determinada a buscar tratamento para a criança. — Quero lutar por ele porque ele merece essa chance. Não há garantias, mas ele merece a oportunidade de viver fora do meu útero — declarou à Live Action.