Os trabalhadores mais jovens já representam a maior parcela de quem contrata o programa Crédito do Trabalhador (que oferece empréstimo consignado para quem tem carteira assinada), mas usam a modalidade de forma diferente das faixas etárias mais velhas.
Levantamento da fintech Bull —que presta serviços de consignado para grandes empresas como RecargaPay e Pernambucanas—, com base em 60 mil contratos fechados nos 12 meses encerrados em junho de 2026, mostra que pessoas de 18 a 34 anos respondem por 42,4% das operações, embora tomem empréstimos de menor valor e com prazo reduzido.
Segundo o estudo, trabalhadores de 18 a 24 anos contrataram, em média, R$ 1.661, cerca de metade do valor registrado entre pessoas de 45 a 54 anos (R$ 3.303). A geração Z também costuma comprometer uma parcela menor da renda —entre 23% e 27% de um salário mensal— e pagar o empréstimo em cerca de 12 meses. Já entre os maiores de 45 anos, o comprometimento sobe para 33% a 38% da renda, com prazos entre 18 e 24 meses.
Na avaliação de José Pires Neto, fundador da Bull, o comportamento sugere que os jovens recorrem ao crédito para necessidades imediatas, em vez de grandes reorganizações financeiras.
"O que fica muito claro nos dados é que esse público pega crédito numa proporção do salário abaixo do que o público mais maduro e por um período mais curto", afirmou. Segundo ele, o consignado pode servir para "uma falta de recurso no fim do mês" ou para financiar um consumo pontual.







