No ar em 'Quem Ama Cuida' e indicado ao Prêmio Grande Otelo 2026 por sua atuação em 'Cangaço Novo', o ator fala sobre memórias, novas linguagens e o processo criativo que deu origem ao primeiro livro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Indicado ao Grande Otelo, Allan Souza Lima transforma memórias e travessias pessoais em livro — Foto: Divulgação Gustavo Arrais Entre personagens, memórias e novas formas de expressão, Allan Souza Lima vive uma fase de transição. Enquanto está no ar na TV Globo como Tom, em "Quem Ama Cuida", e integra a segunda temporada de "Cangaço Novo", disponível no Prime Video, o ator se prepara para apresentar ao público uma faceta menos explorada: a de escritor. Seu primeiro livro, ainda sem título divulgado, nasce de um processo íntimo de reflexão sobre as experiências que moldam uma pessoa ao longo da vida. A obra parte de lembranças, encontros, perdas e afetos para discutir temas que atravessam diferentes histórias, como o tempo, a infância, o medo, a amizade, o amor e as mudanças que acontecem enquanto cada pessoa constrói a própria identidade. Mais do que reunir episódios pessoais, o livro transforma essas experiências em perguntas sobre aquilo que permanece e aquilo que deixamos para trás. O início da escrita aconteceu após a morte de Marie Henriqueta, com quem Allan conviveu de perto no último ano de vida dela. Fundadora do Instituto Dom Azcona e conhecida pela atuação em defesa dos direitos humanos de crianças do Marajó, ela teve uma trajetória marcada pelo trabalho social no Brasil e no exterior. O que começou como uma forma de atravessar o luto, sem intenção inicial de publicação, aos poucos ganhou estrutura. "Nós estivemos juntos na COP30 em novembro de 2025, e ela faleceu neste ano. Passei uma semana muito impactado com a notícia e recebi de uma amiga, Mel Pedroso, um livro sobre o luto; foi então que resolvi começar a escrever. Aos poucos, o texto tomou forma. Fui escrevendo sem nenhuma pretensão de publicar ou lançar, como se, quem sabe, assim expurgasse parte da angústia que sentia", conta Allan. Durante 40 dias, o ator se dedicou diariamente à escrita. Apesar da intensidade do processo, ele descreve a experiência como algo espontâneo, diferente de outros momentos criativos que já viveu. "Pode parecer cansativo, mas, em comparação com os meus outros processos, foi algo incomum. Eu vivo de uma forma muito intensa, como uma explosão. Meu processo é um Big Bang. Sei que chegará um momento em que minha criação vai cessar, então, vivo tudo de maneira muito intensa. Mas, mesmo dentro dessa intensidade, a forma como vivi aquele processo de criação foi muito natural e espontânea. Foi um lugar em que tive muita consciência. A partir do momento em que coloco no papel aquilo que penso e sinto, é como se tivesse ainda maior consciência do entorno. Ao escrever, comecei a compreender tudo que me atravessou até me tornar quem eu sou", afirma. Allan Souza Lima amplia atuação artística e estreia na literatura com obra sobre memórias e afetos — Foto: Divulgação Gustavo Arrais Embora tenha origem em acontecimentos da própria vida, o livro não segue o formato tradicional de uma autobiografia. As memórias aparecem como ponto de partida para reflexões mais amplas sobre as transformações humanas. Em alguns momentos, a narrativa se distancia da primeira pessoa e cria espaço para observar essas experiências com outro olhar. "São notas sobre a amizade, sobre a dor e sobre aquilo que deixei de ser ao crescer. Essa é uma pergunta universal: quantas pessoas não olham para trás e se perguntam o que deixaram de ser? É uma questão que nos acompanha, muitas vezes de forma silenciosa, e que evitamos enfrentar para não sofrer. No livro, acabo trazendo esses questionamentos sobre a vida, mas quase sempre de maneira leve", explica o artista. A escrita também reflete uma busca que acompanha Allan ao longo da trajetória profissional: a vontade de explorar diferentes linguagens. Para ele, a atuação é uma parte de uma identidade artística mais ampla. "Vivo financeiramente da minha profissão, como ator, mas não me limito a essa função. No livro, inclusive, começo dizendo que há uma multidão dentro de mim, que sou muitos. Sou um artista e quero me expressar", conta. Allan Souza Lima revela novo lado artístico ao estrear na literatura — Foto: Divulgação TV Globo O novo projeto literário chega em um momento de reconhecimento e expansão artística para Allan. Além de estar no ar na televisão e no streaming, o ator foi indicado ao Prêmio Grande Otelo 2026 na categoria de Melhor Ator – Série de Ficção para TV Aberta, TV Paga ou Streaming. Paralelamente, ele se prepara para dirigir seu primeiro longa-metragem, "Poeta Bélico", com codireção de Fátima Toledo, preparadora de elenco conhecida por trabalhos como Tropa de Elite. O filme será protagonizado por Renato Góes e Alejandro Claveaux.
Allan Souza Lima estreia como escritor e transforma experiências pessoais em reflexões sobre a vida
No ar em 'Quem Ama Cuida' e indicado ao Prêmio Grande Otelo 2026 por sua atuação em 'Cangaço Novo', o ator fala sobre memórias, novas linguagens e o processo criativo que deu origem ao primeiro livro






