Presidenciável se reuniu ontem com Marcos Pereira, mas encontro não teve o desfecho esperado pela campanha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira: a conversa sem acordos — Foto: Reprodução/Cristiano Zanin/O GLOBO O Republicanos realiza nesta terça-feira, às 9h, em Brasília, sua convenção nacional com uma maioria dos diretórios estaduais contrária a uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL). A tendência é que a legenda declare neutralidade na disputa presidencial, apesar das sucessivas investidas feitas pelo presidenciável nos últimos dias para tentar reverter a posição e atrair o partido para sua coligação. A última tentativa ocorreu nesta segunda-feira. Flávio se reuniu com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, ao lado do coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O encontro terminou sem acordo e não produziu a sinalização esperada pela campanha de que a legenda poderia rever sua posição. Durante a conversa, Pereira informou que 17 diretórios estaduais já haviam se manifestado contra uma aliança nacional com Flávio, formando maioria entre as seções estaduais consultadas. O dirigente não deu uma negativa definitiva e afirmou que ainda concluiria as conversas internas, mas o placar tornou remota a possibilidade de uma reviravolta na convenção. A campanha chegou ao encontro tentando apresentar como fato novo pesquisas divulgadas recentemente, que apontam para um cenário de empate técnico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A melhora animou a campanha, que decidiu usar os números na reta final das negociações para tentar convencer Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de que Flávio permanece competitivo. A avaliação era que a redução da distância poderia alterar o cálculo de dirigentes que vinham resistindo a embarcar na candidatura por dúvidas sobre suas chances de vitória. No Republicanos, porém, a pesquisa não foi suficiente até agora para mudar o cenário interno. Maioria pela neutralidade A resistência a uma aliança nacional com Flávio vem sobretudo dos diretórios estaduais. A avaliação predominante é que a neutralidade dá maior liberdade para que o Republicanos preserve acordos regionais distintos e concentre esforços nas disputas para governos estaduais, Câmara e Senado. Esse cálculo ajuda a explicar a cautela adotada por Marcos Pereira nas negociações. O presidente do partido manteve abertas as conversas com Flávio e evitou antecipar formalmente a decisão da convenção, mas enfrenta uma maioria interna contrária à entrada na coligação presidencial. A provável neutralidade também interfere diretamente na escolha do candidato a vice. Flávio vinha insistindo no nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos, como uma das principais alternativas para a chapa. Daniella se filiou à legenda no limite do prazo eleitoral e já participava da campanha de Flávio, principalmente na formulação de propostas econômicas e de políticas voltadas às mulheres. A entrada no Republicanos, no entanto, provocou incômodo na cúpula por ter ocorrido sem uma articulação prévia com Pereira. Flávio tentou desde então convencer o dirigente a liberar Daniella para a chapa. Sem o aval do Republicanos, porém, a alternativa fica praticamente inviabilizada. Como o prazo para troca de partido terminou em abril, ela não poderia migrar agora para o PL ou outra legenda para concorrer à vice. A resistência do Republicanos se soma a uma sequência de dificuldades enfrentadas por Flávio para construir uma aliança nacional. Na semana passada, o PP decidiu manter a neutralidade após consultar seus diretórios estaduais e barrou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (MS) integrar a chapa. Tereza chegou a comunicar a integrantes do PP que estava disposta a aceitar o convite e tentou obter autorização para a composição. A maioria da legenda, porém, optou por preservar a posição já comunicada ao PL e os acordos regionais construídos pelos diretórios. O União Brasil, que integra com o PP a federação União Progressista, também resiste a uma adesão nacional. O Podemos é outra frente mantida aberta pela campanha, embora a legenda também tenha sinalizado preferência pela neutralidade. A presidente da sigla, Renata Abreu, passou a ser sondada como uma possível alternativa para a vice após o fracasso da articulação em torno de Tereza. A sucessão de negativas aumentou dentro do PL a possibilidade de Flávio chegar ao fim das convenções sem conseguir atrair outro grande partido para sua coligação. Nesse cenário, uma chapa pura passou a ser admitida por integrantes da campanha. O senador Marcos Pontes (PL-SP) ganhou força nos últimos dias entre dirigentes que defendem uma solução interna para a vice. Outros nomes femininos do próprio PL também passaram a circular, entre eles as deputadas Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), além de Priscila Costa e Sonaira Fernandes.
Após investidas de Flávio, Republicanos chega à convenção com maioria contra aliança e deve declarar neutralidade
Presidenciável se reuniu ontem com Marcos Pereira, mas encontro não teve o desfecho esperado pela campanha








