Marca cearense produz 1 milhão de litros de água de coco por mês e enxerga mercado de private label como estratégico para expandir distribuição no país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fábrica da Nosso Coco, em Paraipaba (CE), produz mensalmente cerca de 2 milhões de embalagens de água de coco, que variam entre 200 ml, 330 ml e 1 litro — Foto: Divulgação Marca brasileira de água de coco, a Nosso Coco alcançou faturamento de R$ 200 milhões no ano passado, com crescimento entre 20% e 30% ano. Atualmente, a produção de 1 milhão de litros mensais é distribuída em todo o país a 300 clientes, entre pequenos varejistas e grandes redes. Nos últimos anos, a estratégia de crescimento evoluiu para o modelo B2B (empresa para empresa), com ênfase na produção no modelo private label. Nesse modelo, a Nosso Coco fornece a bebida para grandes redes de varejo. Fabio Macedo, sócio e diretor-executivo da Nosso Coco, diz que a fabricação sob rotulagem de grandes redes cresce diariamente, e serve como um impulsionador para a marca principal. "São todos produtos irmãos da Nosso Coco", afirma. O mercado de private label é considerado estratégico para o crescimento da empresa nos próximos anos. Para Macedo, trata-se de um mercado que cresce diariamente, e a meta do negócio é fortalecer as parcerias para terceirização e expandir presença em postos de venda que valorizam a pureza do produto. “Esse mercado [private label] é muito interessante, hoje, no mundo, já que vem crescendo todos os dias. A Nosso Coco, como se diz, pega carona nessa tendência e segue desenvolvendo esse trabalho”, ressalta Macedo. A matéria-prima da empresa é o coco-da-baía, que é produzido em maior volume no Ceará. A produção mensal da Nosso Coco, com sede no Ceará, representa aproximadamente 2 milhões de embalagens em tamanhos que variam entre 200 ml, 330 ml e 1 litro. As principais linhas são a água de coco padronizada, a de produtos orgânicos e a versão de água de coco com polpa do fruto. A Nosso Coco é a marca da bebida natural produzida pela Paraipaba Agroindustrial, sediada na cidade homônima, a 90 km de Fortaleza, que vem crescendo acima da média nacional no segmento de não-alcoólicas, conforme estudo da Bain & Company e da Nielsen IQ divulgado em junho. A trajetória do negócio é um exemplo singular de "logística reversa” empresarial. A operação nasceu em 2002, voltada exclusivamente a exportações para Estados Unidos e Canadá. Após se consolidar no mercado externo, mirou sua produção para as prateleiras brasileiras a partir de águas de coco premium e orgânicas. Comandada hoje por Macedo, que acompanha o negócio desde a primeira embalagem desenvolvida para a Nosso Coco, a empresa se transformou em uma indústria que mantém um ritmo de crescimento anual entre 20% e 30%. A história da operação não começou nos supermercados nacionais, mas sim nos portos. Fundada há 25 anos pelo suíço Mark Kipfer, que ainda é sócio majoritário, e um brasileiro que já deixou a sociedade, a companhia operou por mais de uma década focada apenas na exportação. Para esse segmento, a fábrica cearense é fornecedora da Vita Coco. "Nós exportamos por volta de 120 a 140 contêineres por mês para os Estados Unidos e Canadá", afirma Macedo. Oportunidade no mercado brasileiro O ponto de virada para a operação nacional ocorreu em 2012. Ao observar o amadurecimento do consumo de água de coco envasada no Brasil, a diretoria da Paraipaba Agroindustrial decidiu criar uma marca própria para o mercado doméstico. "Como nós éramos produtores da Vita Coco, surgiu daí o interesse em trabalhar o mercado nacional", explica Macedo, que ingressou na área comercial durante o período de transição do negócio. A estrutura por trás do negócio é sustentada pela unidade fabril em Paraipaba. Com 543 funcionários, a fábrica ocupa um terreno de 70 mil metros quadrados e tem capacidade produtiva de 10 milhões de litros da bebida por mês. Macedo estima que a Nosso Coco representa entre 15% e 20% do total de produção atual da fábrica. A Paraipaba Agroindustrial desenvolveu a produção própria de coco orgânico, em cerca de 300 hectares. Essa área produz aproximadamente 600 mil frutos por mês. “Nós optamos por trabalhar com a plantação orgânica porque é um nicho que só nós temos no Brasil", explica Macedo. Como a plantação própria não supre a demanda, por mês, a empresa compra entre 8 e 9 milhões de cocos de agricultores locais, o que acaba por movimentar a economia regional de produtores do fruto. Embora o plantio e a fabricação estejam no Nordeste, o principal público consumidor da Nosso Coco está nas regiões Sul e Sudeste, onde o clima impede o cultivo em larga escala. Uma outra parcela do produto é vendida para o Centro-Oeste. Para atender a essa demanda, a empresa utiliza uma logística sofisticada que combina cabotagem. A produção é escoada do Porto de Pecém, que fica a cerca de 60 km do complexo industrial cearense, para os portos de Santos, em São Paulo, de Itapoá, em Santa Catarina, e do Rio de Janeiro). A empresa mantém ainda um centro de distribuição logística em Campinas, em São Paulo. Para sustentar o crescimento com taxas superiores a 30%, Macedo diz que o caminho é o rigor na prestação do serviço. “Nosso foco é ficar de olho no consumidor e na qualidade dos produtos, além de um atendimento diferenciado nos canais de venda", afirma.