Coluna calculou a média no exame de escolas das cidades do Rio e de São Paulo que forneceram ao GLOBO informações sobre o valor cobrado no ensino médio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudantes chegam para fazer a prova no primeiro dia de Enem, em Brasília, no início de novembro: a partir de agora, por decisão do MEC, as notas dos candidatos valerão para o Sisu por até três anos — Foto: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil A valiosa ferramenta que O GLOBO criou para apoiar os pais na escolha de escolas — trazendo informações sobre preço, proposta pedagógica, localização, entre outros — permite alguns exercícios para testar hipóteses já verificadas em outros contextos na avaliação educacional. Uma delas é a correlação entre investimento e resultados em testes. Com apoio do repórter Bruno Alfano, a coluna calculou a média no Enem de escolas das cidades do Rio e de São Paulo que forneceram ao jornal informações sobre mensalidades no ensino médio, correlacionando essas duas variáveis (faixa de preço e resultado dos alunos no exame). Sabemos que escolas particulares, na média, têm resultados melhores do que as públicas. Seria surpreendente se fosse o contrário, pois, além de cobrar mensalidades que em geral superam muito o gasto estatal por estudante, esses estabelecimentos atendem famílias de maior nível socioeconômico. Mas o exercício de comparação feito aqui permite confirmar três hipóteses mais ou menos intuitivas: 1) há grande heterogeneidade na rede privada; 2) escolas de baixa mensalidade estão mais próximas da rede pública do que dos colégios de elite; 3) a partir de certo patamar, a correlação entre gasto e resultados no Enem deixa de ser significativa. As escolas particulares que informaram ao GLOBO mensalidades inferiores a R$ 1.000 nas cidades do Rio e de São Paulo apresentam média de 565 pontos no Enem. Na faixa de R$ 1.001 a R$ 3.000, o desempenho cresce para 594 pontos. Entre R$ 3.001 e R$ 5.000, vai aos 662 pontos. A partir daí, o valor da mensalidade para de fazer diferença na média do Enem. Escolas na faixa de R$ 5.001 a R$ 7.000 apresentam média de 660 pontos, enquanto as acima de R$ 7.001 ficam em 656. Nas três maiores faixas de mensalidade, pode-se dizer que a diferença, de tão pequena, é irrelevante. No caso das escolas que cobram até R$ 1.000 (média de 565 no Enem), elas estão mais próximas da média da rede pública (510 na cidade do Rio e 519 na cidade de São Paulo) do que desses estabelecimentos mais caros. Por ser este apenas um exercício de correlação — e sem a pretensão de um estudo acadêmico rigoroso — é preciso cautela para não extrapolar os resultados. Um primeiro dado a ser considerado é que a amostra não é significativa de todas as escolas privadas nas duas cidades, pois somente aquelas que informaram ao GLOBO o valor das mensalidades no ensino médio (foram 288) e com médias no Enem puderam ser consideradas. Mas as conclusões básicas desse levantamento são confirmadas por outros estudos. A constatação de que a correlação positiva entre investimento por aluno e o resultado em testes só ocorre até certo patamar de gasto é encontrada em várias pesquisas, inclusive nos relatórios que a OCDE realiza sobre o Pisa, exame internacional que compara o desempenho de jovens de 15 anos de idade em vários países. Mas um dado a ser considerado em todas essas comparações é que o valor da mensalidade está, por óbvio, muito relacionado ao nível socioeconômico dos alunos, esse sim o fator de maior impacto no resultado medido em testes de aprendizagem. E, também nesse caso, a literatura acadêmica revela que há grande variação entre os níveis socioeconômicos mais baixos e mais altos. Mas, a partir de um certo patamar, isso deixa de ser relevante. A explicação mais provável é que faz uma enorme diferença o fato de uma criança ter ou não acesso a condições básicas para seu desenvolvimento pleno (alimentação adequada, ambiente seguro, acesso a livros e outros bens...). A partir do ponto em que essas necessidades são garantidas, o valor investido pelos pais ou o nível de riqueza das famílias deixa de ser tão relevante para explicar resultados acadêmicos dos alunos.
A relação entre Enem e mensalidades
Coluna calculou a média no exame de escolas das cidades do Rio e de São Paulo que forneceram ao GLOBO informações sobre o valor cobrado no ensino médio






